O governador Beto Richa negou ontem a possibilidade de venda de ações da Copel e da Sanepar depois de o secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, ter dito que estaria em estudos a venda dos papéis excedentes ao controle acionário das duas estatais. Beto disse que não autorizou e não discutiu esse assunto da venda das ações com ninguém. "Respeito a opinião pessoal do secretário da Fazenda, mas discordo dele e nunca tratei disso com ele. Não é o que eu penso. Há outras alternativas para ter recursos para novos investimentos no Paraná", afirmou Beto ontem em nota na Agência Estadual de Notícias, órgão oficial de comunicação do governo.
E completou dizendo que "continua intacto o compromisso de manter o Estado no controle acionário da Copel e da Sanepar". Hoje, o governo tem 58% das ações ordinárias com direito a voto na Copel e 74% na Sanepar.
A venda de ações da Copel e da Sanepar é um dos recursos que o governo estuda para melhorar o caixa do Estado, segundo o secretário da Fazenda. Mauro Costa disse em entrevista ao jornal Valor Econômico de ontem que a venda das ações está em estudos e que poderia ocorrer neste ano, dependendo das condições de mercado. As ações vendidas seriam as do "excedente do controle" do Estado.
Os especialistas em mercado financeiro consultados pela reportagem acreditam que a decisão de vender as ações não seria negativa. No entanto, o grande problema é a definição do preço dos papéis para venda. Segundo o consultor de investimentos da Inva Capital, Raphael Cordeiro, o ideal é a venda de ações ser realizada em um momento propício, ou seja, com margem de lucro boa, perspectivas de crescimento da economia e custo do capital (juros) baixo.
O cenário atual é totalmente o inverso disso, com diminuição do lucro líquido nas duas companhias paranaenses no primeiro trimestre do ano, previsão de crescimento negativo da economia para este ano e aumento de juros no País. A Copel teve queda de 19,4% no lucro líquido no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado e a Sanepar registrou redução de 27,8% no lucro nos três primeiros meses do ano.
Para Cordeiro, com esta medida, o governo do Estado demonstra que está sem dinheiro. O diretor técnico da Associação dos Analistas de Mercado de Capitais (Apimec), Marco Antônio dos Santos, acredita que há aspectos positivos na venda das ações.
Segundo ele, a venda dos papéis representa colocar a empresa nas mãos de outros acionistas que são mais criteriosos e vão cobrar um desempenho mais eficiente da companhia. Ele disse ainda que o governo fazer caixa e tentar resolver os problemas com outra alternativa que não seja aumento de imposto é positivo. Santos disse que a venda das ações pode tornar a companhia mais eficiente e transparente. Para ele, este tipo de medida melhora a governança corporativa da companhia e o mercado vê com bons olhos. Ontem, as ações ordinárias da Copel (com direito a voto) fecharam em alta de 3,16% e, as preferenciais (mais negociadas), tiveram elevação de 2,12%. As ações preferenciais da Sanepar tiveram alta de 0,20% ontem.
No entanto, ele alerta que o preço de venda das ações tem que ser atrativo para comercialização e, ao mesmo tempo, valorizado para não entregar a companhia a investidores privados a preços muito baixos.
Com a notícia da venda de ações comentada pelo secretário da Fazenda, fez voltar à memória dos paranaenses a tentativa de privatização da Copel em 2001 durante o governo Jaime Lerner. Na época, o governo chegou a colocar a estatal em leilão, o que mobilizou muita resistência no Estado.
A reportagem da FOLHA tentou contato com o secretário da Fazenda ontem e por meio da assessoria de imprensa foi informada que ele não se pronunciaria porque o governador já tinha comentado o assunto.

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