Brasília - O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, e o governador de Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, divergiram em público ontem sobre o teor da decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de garantir indenização aos proprietários de animais sacrificados na área atingida por focos da febre aftosa. Em entrevista no Itamaraty, onde ocorreu a reunião com Lula sobre o problema, Zeca disse que o governo pagará a ''todos'' os pecuaristas, mesmo os culpados pela doença. Rodrigues avisou, no entanto, que só ''quem cumpre a lei adequadamente'' receberá o benefício. Ninguém, no entanto, disse de onde sairá o dinheiro e quanto será liberado.
Durante entrevista, Rodrigues disse que o presidente deixou claro que não faltarão recursos para as indenizações e para o fundo de emergência, criado pelo governo de Mato Grosso do Sul, voltado a cerca de 3.500 produtores de cinco municípios da área atingida pelos focos da aftosa. ''Sempre que ficar comprovado que não houve vacinação, não haverá indenização'', disse o ministro. ''A própria lei estabelece que será indenizado quem cumpre seu compromisso adequadamente (vacinar o rebanho).''
Conforme Rodrigues, Lula determinou que o Ministério da Agricultura comece a avaliar como promover um debate no âmbito do Mercosul para discutir a questão da aftosa. O presidente analisou ainda a possibilidade de aumentar a fiscalização do Exército no trecho de 600 quilômetros de fronteira com o Paraguai. O governador de Mato Grosso do Sul insistiu, no encontro com o presidente, que os focos de aftosa no Estado são resultado do contrabando de animais do país vizinho. ''É muito apetitoso comprar gado lá, pois um novilho sai no mínimo R$ 100 a menos.

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