Oswaldo PetrinGôndola furada
-As perdas de alimentos no Brasil são um espanto. Uns três anos atrás, dois jornalistas mineiros mapearam o desperdício de cereais, legumes, frutas, da colheita à mesa do consumidor. No Paraná, um empresário de Maringá se surpreendeu ao percorrer alguns quilômetros, pela Rodovia do Café, atrás de uma carreta graneleira que transportava soja ao Porto de Paranaguá. ‘‘Tenho a impressão que a cada 20 quilômetros é possível encher um saco de 60 kg’’, disse.
-Exagero à parte, a perda é muito grande. Em todas as etapas. Só que agora, com a economia estável e margens de lucro bem definidas (ou comprimidas), tudo fica mais exposto e saliente. E cada setor trata de contabilizar sua parte. Os supermercados, onde o desperdício sai pelo ladrão, começam a se incomodar. Chegará, um dia, a vez dos atacados, que operam dentro de sistemas rudimentares. Perde-se de todas as formas, inclusive pela falta de higiene e técnica de estocagem.
-A notícia que as agências divulgaram ontem é a seguinte: As perdas dos supermercados brasileiros na venda de frutas, legumes e verduras chegam a R$ 4 bilhões por ano. Na prática, significa que das 55 milhões de toneladas produzidos no País, 13 milhões vão para o lixo, ou seja, cerca de 24% da colheita.
-A redução desse desperdício, uma preocupação mais recente dos supermercadistas, especialmente após a estabilização da moeda, será um dos temas em discussão na Apas’98 - 14ª Convenção e Feira Paulista de Supermercados, que começa na próxima segunda-feira no Expo Center Norte, em São Paulo.
-Durante a mostra, que vai reunir 292 empresas de alimentos, equipamentos e serviços para o setor de supermercados, numa área total de 42 mil metros quadrados, será apresentado um projeto técnico de classificação e
padronização de hortifrutícolas feito pela Apas (Associação Paulista de Supermercados) em parceria com a Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado.
-Omar Assaf, presidente da Apas, diz que nos países da Europa e nos Estados Unidos as perdas com esse produtos representam entre 7% e 8% das compras das redes. Em cinco anos, a associação acredita que os supermercados já estarão operando com percentual mais próximo de 10%. O trabalho para reduzir o desperdício, analisa Assaf, tem de envolver desde a produção até a distribuição dos produtos. Ele acredita que se a Ceagesp abrir no final de semana, as sobras diminuirão. ‘‘As perdas também serão menores se as embalagens forem apropriadas’’. (Agência Folha). Frango
Os preços do frango estão indo na contramão dos do milho. Nos últimos
dias, a oferta de produto aumentou e o consumo está fraco. Com isso, o
preço recuou para R$ 0,73 em SP. Veja abaixo preços no PR.
Cooperconsumo
A estabilidade dos preços tornou dispensável muitas cooperativas de consumo, principalmente as de gerência pouco profissionais que tinham no poder de barganha (na hora das compras) sua principal finalidade.
É forte
As bem estruturadas permanecem. O setor que movimenta no País cerca de US$ 11,2 bilhões por ano, ou 1,4% do PIB. E vem aí um encontro internacinal. É o Congresso Latino-Americano de Cooperativas de Consumo,
Crédito
Será nos dias 25 a 27 deste mês, na Cooperhodia (SP), maior cooperativa de consumo da América Latina. Um dos temas é o acesso aos créditos internacionais para programas de investimentos em cooperativas de consumo.
Itália
Técnicos italianos trazem sugestões. Na Itália, berço do cooperativismo e onde esse tipo de negócios está mais desenvolvido, o setor movimenta US$ 130 bilhões, ou 13% do PIB do país.

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