Golpe do 'cupom fiscal' pode superar R$ 16 mi
Cláudia Lopes
De Londrina
A Receita Estadual do Paraná está investigando 20 empresas de médio porte que estariam envolvidas no golpe do cupom fiscal. Estas empresas tiveram equipamentos e livros apreendidos há dois meses e engrossam a lista de cerca de 50 empresas na mira da Receita Estadual.
O golpe do cupom, considerado um dos maiores de sonegação fiscal já realizados no Estado, começou a ser desbaratado no início deste ano depois de uma denúncia anônima, feita por carta, à promotoria de Defesa do Patrimônio Público do Paraná.
Em junho passado, a Receita deflagrou uma operação em todo Estado para aprender documentos, disquetes e cupons fiscais de cerca de 30 supermercados e empresas apontadas na carta anônima. Entre elas, o Supermercado Muffatão, de Londrina, que hoje pertence ao grupo português Sonae. A partir das investigações feitas nas 30 empresas, chegamos a mais estas 20, revelou o diretor da coordenação da Receita do Estado do Paraná, João Manoel Delgado Lucena.
Até agora, a Receita Estadual autuou 19 empresas com multas que somam R$ 7,5 milhões. Mas apenas 15% deste valor foi pago, segundo Lucena. Ele adverte, porém, que o rombo nos cofres do Estado deve ultrapassar R$ 16 milhões. Além das novas sonegações que estão sendo apuradas, não conseguimos comprovar sonegação por parte de sete empresas porque muitos arquivos foram deletados, informa. Apesar de não revelar os nomes das empresas autuadas, Lucena afirma que a maior multa ultrapassa R$ 2 milhões. Como houve destruição de arquivos, algumas empresas receberam multas formais, de R$ 722, informou o coordenador da Receita. Ele acredita que o esquema pode envolver outras empresas, além das 50 já investigadas.
Através de um software, as empresas conseguiam sonegar o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O programa de computador permitia que as memórias parciais de impressoras fossem apagadas ao longo do dia, não registrando a totalidade de vendas.
O Ministério Público do Paraná entrou com denúncia na Justiça, no Fórum de Cascavel, contra algumas empresas envolvidas no golpe do cupom fiscal em setembro passado. Ontem à tarde, a Folha tentou falar com o empresário Pedro Muffato mas não conseguiu.





