O ''golpe das listas telefônicas'', denunciado pela Folha do Consumidor há 15 dias, continua fazendo vítimas em Londrina. Ao todo, já foram registradas na Coordenadoria de Defesa e Proteção do Consumidor (Procon) 17 queixas contra editoras provalvemente fictícias do Estado de São Paulo. Mas o número de vítimas pode ser bem maior, segundo o coordenador do Procon de Londrina, Tito Valle. ''A gente estima que, pelo menos, 51% das empresas acabam fazendo o pagamento sem se dar conta que estão sendo lesadas, já que os valores são pequenos'', disse.
O golpe é simples. As editoras entram em contato com as empresas-alvo, por telefone, e dizem ao funcionário que atende a ligação que estão fazendo uma atualização de cadastro para a lista telefônica, sem identificar qual. Com todas as informações cadastrais da empresa, emitem faturas como se houvesse um contrato para veiculação de anúncios nas páginas amarelas. Os boletos bancários são emitidos com valores pequenos, entre R$ 50 e R$ 300, divididos em várias vezes.
O comerciante João Tiviroli Júnior, 28 anos, foi uma das novas vítimas do golpe. Ele esteve semana passada no Procon para buscar mais informações sobre como deveria proceder. Segundo ele, a empresa que tentou aplicar o golpe nele chegou a usar o nome de outra editora, bem conhecida na região. ''Há cerca de três meses, eu recebi uma ligação de uma empresa chamada Aditel, de Campinas, que se apresentou como se fosse a Editel, falando que estavam fazendo uma renovação de contrato. Questionei três vezes se era mesmo da Editel e a pessoa me confirmou que sim'', contou. Mesmo desconfiado, ele aceitou a renovação do suposto contrato. ''A surpresa foi quando chegou a fatura, em nome de AW Aditel, de Campinas, com uma cláusula que especificava que contratos feitos por telefone dispensava a rubrica'', disse.
O comerciante explicou que conseguiu o número de telefone da empresa por meio do serviço de informações de São Paulo e ligou para lá. Depois de discutir com a assessoria da empresa, conseguiu o cancelamento das faturas. Mas esta semana, nova surpresa aguardava Tiviroli Júnior, com a emissão de novas faturas pela mesma empresa. ''Só que desta vez, não consegui nem o número do telefone no setor de informações. Segundo a atendente, a empresa não permite que o número seja divulgado. Que grande empresa de listas telefônicas é essa que não quer que seus consumidores saibam qual é o seu número'', questionou.

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