População com renda em queda, nível de emprego estagnado, custo elevado do crédito, alta carga tributária e consumidores incertos com relação ao futuro são os grandes desafios que a nova diretoria da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) enfrentará na gestão que vai de 2004 a 2007.
Liderada por Rogelio Golfarb, diretor de Assuntos Corporativos da Ford do Brasil, a diretoria da entidade tomou posse segunda-feira, em São Paulo, em clima de incerteza quanto ao futuro do setor no País. A cerimônia também deu posse à nova gestão do Sindicato dos Fabricantes de Veículos (Sinfavea).
A alta dos insumos e a dificuldade de repassar preços ao consumidor final são outros fatores que interferem nas atividades do segmento que, hoje, trabalha com 40% da capacidade ociosa no Brasil. ''A consequência é que o produto final fica mais caro'', afirmou Golfarb.
Enquanto a indústria automobilística produziu dois milhões de unidades em 1997, este ano deve atingir apenas 1,54 milhões. As exportações, que cresceram 40% em 2003, não devem superar o aumento de 20% em 2004. As metas para o mercado interno são de crescimento entre 7% e 8%.
A conjuntura desfavorável resulta em queda de competitividade, falta de retorno dos investimentos e consequente risco de perda de investimentos internacionais. Segundo Golfarb, a indústria automobilística dos países asiáticos está crescendo e disputa, com as montadoras do Brasil, os recursos das grandes fábricas. Além disso, a incorporação de dez países do Leste Europeu à Comunidade Européia vai reduzir o mercado para exportação de carros brasileiros.
A meta da entidade é recuperar a sustentabilidade através do retorno à produção de dois milhões de unidades anuais. Essa performance, afirmou o presidente da Anfavea, ocuparia 80% da capacidade do setor e garantiria o retorno adequado para os investimentos feitos até agora.
A consolidação desse cenário, entretanto, depende de fatores externos às políticas da Anfavea. Para atingir seus objetivos, a entidade conta com crescimento do PIB de 3% a 3,5%, estabilidade cambial, inflação sob controle e taxa de juros em queda. Outras condições necessárias são a desoneração da carga tributária, a facilidade do crédito e maior apoio às exportações.
A indústria automobilística fechou 2003 com faturamento de US$ 21 bilhões no Brasil. O setor responde por 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e 14% do PIB industrial. Associadas da Anfavea estão presentes em sete estados e 27 municípios brasileiros.

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