São Paulo - O presidente da Gol, Constantino Oliveira Junior, afirmou ontem que pedirá à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a prorrogação do prazo para que a nova Varig reinicie os vôos internacionais, que se encerra em 14 de junho. A estimativa do executivo é que a empresa consiga retomar todas as operações internacionais em um prazo de 12 meses. Ele explicou que a Anac pode prorrogar o prazo caso a agência entenda que essa medida é em favor do mercado.
Entre as rotas que a Varig não está operando estão Nova Iorque, Miami, Milão, Londres, Paris e Santiago do Chile. Se a Anac não conceder a prorrogação de prazo, a empresa perderá o direito a essas concessões. O presidente da Gol disse também que a empresa está estudando participar de uma das alianças internacionais de companhias aéreas. ''Considerar alianças nos vôos internacionais é quase imprescindível. Mas ainda não temos definição de um modelo.''
Constantino Jr. lembrou ainda que a compra da Varig será submetida ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Na avaliação dele, a transação não afetará a competição no mercado interno. ''Gol e Varig atuarão em nichos diferentes. A Varig terá um serviço diferenciado. Cada companhia terá independência para buscar a satisfação dos seus clientes.''
O executivo afirmou que a Gol continuará com sua política de baixas tarifas, com objetivo de atender a passageiros mais sensíveis a preço, enquanto a Varig vai operar com vôos diretos no mercado nacional e com serviço diferenciado.
Ao ser questionado sobre como seriam os serviços dos vôos internacionais, Constantino Jr. brincou: ''vamos encomendar uma barrinha de cereal de um quilo.'' Ele deixou claro que o serviço da Varig será superior ao praticado pela Gol. Por conta dos serviços diferenciados, a Varig não poderá ter as mesmas tarifas baixas da Gol, ressaltou.
O executivo disse ainda que a Gol pretende dobrar a atual frota da nova Varig e, por conta disso, deverá também quase dobrar o quadro de funcionários da companhia. Segundo ele, a empresa dará preferência à contratação de ex-funcionários da Varig.
O presidente da Gol afirmou que a companhia ainda não dimensionou as sinergias que serão possíveis com a nova Varig. Da mesma forma, o plano de investimentos na empresa também não está definido, mas ele garantiu que a Gol tem condições financeiras de realizar os aportes necessários.
Suspeita - Constantino Jr. se disse tranquilo em relação aos questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a respeito de um suposto vazamento de informação sobre a compra da nova Varig. ''Estamos abertos para prestar esclarecimentos e colaborar com a investigação'', declarou.
Constantino Jr. lembrou que a mídia vinha explorando o assunto há algum tempo, mas negou que tenha ocorrido vazamento sobre a efetivação do negócio.

mockup