Agência Estado
O Gol, um dos modelos básicos de maior sucesso da Volkswagen do Brasil nos últimos anos, deve acabar como projeto unicamente brasileiro e ser substituído por um novo carro de marca mundial até o ano 2005. Embora a direção da Volks alemã não confirme o fim da linha Gol e nem a data, a produção desse veículo, antes mesmo de sua eventual substituição, deverá entrar no sistema de ‘‘estratégia de plataforma’’, introduzido pela Volkswagen alemã em Wolfsburg a partir de 1995.
Pelo cronograma estabelecido na sede de uma das maiores indústrias do setor automobilístico alemão, onde trabalham 49 mil pessoas, a direção da multinacional decidiu reduzir de 55,6% para apenas 9,2% os carros produzidos fora da estratégia de plataforma até o ano 2005.
Esse esquema de produção permite a utilização de um mesma plataforma (chassis, motor, caixa de câmbio, pedais, eixos, molas, entre outros) na fabricação de outros modelos. Ou seja, ‘‘tudo que o cliente não vê e não toca’’ em um carro também deverá ser o sistema de fabricação de carros da Volks no País e hoje já utilizado nos modelos da Volks na Alemanha.
Klaus Rakowski, um dos responsáveis pela região América do Sul/África da Volkswagen, disse à Agência Estado que a estratégia de plataforma - implantada na fábrica do Paraná, onde será fabricado o Audi A3 e o Golf4 - será introduzida na fábrica da Volks em Sao Bernardo do Campo (SP) nos próximos dois anos.
Hoje, o Gol é fabricado fora desse esquema e, se não sair mesmo de linha, terá de passar pela mesma fase de transição pela qual estão passando os cinco modelos fabricados em Wolfsburg. ‘‘Um dia o Gol terá de acabar, mas isso só será definido e anunciado quando um novo modelo for desenvolvido’’, afirmou o diretor de produtos, Reinhard Kruschwitz.
Ele confirmou, entretanto, que o período máximo de ‘‘distanciamento’’ entre o que está sendo feito na Europa e o que deverá ser implementado nas subsidiárias instaladas nos países emergentes é de 24 meses. Isso significa que a ‘‘estratégia de plataforma’’, que permite uma significativa redução de custos e um acréscimo de cometitividade, deverá ser introduzido no Brasil até o ano 2000.
Na Alemanha, a Volks conseguiu reduzir entre 8 bilhões e 9 bilhões de marcos (cerca de US$ 5,3 bilhões) nos custos das versões produzidas no país. ‘‘Se tivéssemos adotado esse sistema para todos os modelos, a redução de custos seria entre 14 bilhões e 15 bilhões de marcos’’, afirmou Kruschwitz.

mockup