Curitiba- A construção de um ramal que levasse o gás do Gasbol até Londrina poderia facilitar a criação de uma rede de postos que oferecesse o gás natural veicular (GNV), combustível mais barato que os convencionais álcool e gasolina e menos poluente. A partir do mês que vem, a empresa Gastech criará no município um complexo de armazenamento de gás natural, que será trazido em estado liquefeito por caminhões, e coloca em funcionamento uma unidade para conversão de veículos para que possam funcionar com o GNV.
Atualmente, o Paraná tem apenas 24 postos que oferecem o GNV. São 21 em Curitiba, dois em São José dos Pinhais e um em Campo Largo. Eles são abastecidos diretamente pela rede de dutos da Compagas, recebendo o gás que chega diretamente da Bolívia pelo Gasbol.
O engenheiro Marco Aurélio Ratacheski Biesemeyer, da Compagas, explica que com o uso do GNV, proprietários de veículos podem economizar entre 50% e 70% em relação ao álcool e à gasolina. O primeiro fator para isso é o preço dos combustíveis. Em Curitiba, por exemplo, o metro cúbico do GNV custa em média R$ 1,45, enquanto o litro do álcool está em torno de R$ 1,69 e o da gasolina, R$ 2,49.
Além disso, segundo Biesemeyer, o que contribui para a economia é o rendimento proporcionado pelo GNV. Estudos realizados com um Santana com motor 1.8 circulando em uma cidade como Curitiba mostram que o carro circula cerca de 8 quilômetros com um litro de álcool. Com a gasolina, são 10 quilômetros por litro. Já com o GNV, o carro faz 12 quilômetros por metro cúbico.
As estatísticas reveladas pelo engenheiro são comprovadas por motoristas que utilizam o GNV em Curitiba. O taxista Thiago Carvalho, 24 anos, que dirige um Meriva 1.8, conta que gasta cerca de R$ 14 para completar o cilindro de GNV instalado em seu carro, que tem capacidade máxima para 10 metros cúbicos. Com essa quantidade, circula cerca de 100 quilômetros com o táxi, corridas que lhe rendem aproximadamente R$ 120. ''Se eu fosse abastecer com gasolina, gastaria praticamente o dobro para fazer esses 100 quilômetros'', revela. Mesmo em relação ao álcool, que tem um preço mais próximo ao do GNV, Carvalho também vê vantagens. ''Com álcool eu faço só 7 quilômetros por litro'', diz.
Para o taxista, a principal desvantagem do GNV é que os cilindros não possuem grande capacidade de armazenamento. ''Você sempre tem que reabastecer'', afirma. Mesmo assim, os motoristas que usam o GNV não correm o risco permanente de ficar sem combustível. Isso porque, mesmo com a conversão, os carros continuam a funcionar também com o combustível original.
Além disso, veículos com motores menos potentes podem apresentar perda de potência. De acordo com Marco Aurélio Biesemeyer, isso ocorre principalmente pelo aumento do peso do veículo com a instalação do kit GNV. ''Somente o cilindro de combustível pesa em média 70 quilos. É como se o carro estivesse circulando sempre com um adulto a mais como passageiro'', explica o engenheiro.(R.L)

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