GM suspende adoção de jornada mínima
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quarta-feira, 14 de janeiro de 1998
Agência Folha São Paulo 
Uma bolha de consumo de determinados modelos da montadora levou a General Motors a suspender a adoção da jornada mínima de trabalho até pelo menos o dia 7 de fevereiro na unidade de São Caetano do Sul (Grande São Paulo). Os modelos que levaram a um reaquecimento do mercado não foram divulgados pela empresa. A unidade de São Caetano produz Corsa 1.0 (duas portas), Vectra, Omega, Kadett e Ipanema.
A jornada mínima - 38 horas semanais - seria implantada na fábrica a partir de ontem, quando os 10 mil funcionários da unidade voltaram das férias coletivas, iniciadas no dia 22 de dezembro. A medida havia sido anunciada pela montadora no final do mês passado. Essa seria a primeira vez em dois anos, desde o fechamento do acordo de flexibilização de jornada com o Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, que a jornada mínima de trabalho seria adotada.
Com a suspensão da medida, a redução de 25% na produção, prevista inicialmente pela montadora, não será cumprida. A montadora não informou de quanto será a redução a partir de agora. Se a redução fosse de 25%, a produção passaria de 800 para 600 unidades por dia em São Caetano.
Nesta semana, os funcionários da GM em São Caetano estão trabalhando 42 horas semanais (jornada-base). A partir da próxima segunda-feira, eles passam a trabalhar 44 horas e 30 minutos semanais. Essa jornada estará em vigor até pelo menos 7 de fevereiro.
O acordo de flexibilização da jornada de trabalho prevê uma variação de 44 a 38 horas semanais, sem redução salarial. O que ultrapassar as 44 horas semanais é pago como hora extra. A GM também anunciou que está suspensa a folga do próximo dia 23 de janeiro, uma sexta-feira.
Inicialmente, os 8.000 funcionários do setor de produção da GM iriam folgar uma sexta-feira a cada duas semanais, ou seja, trabalhariam uma semana de segunda a sexta e, na seguinte, de segunda a quinta. No atual cronograma da montadora, haverá ainda dois sábados extras de trabalho: dias 24 de janeiro e 7 de fevereiro.
Para a unidade de São José dos Campos (97 km a nordeste de São Paulo), a montadora manteve a licença-remunerada para 427 funcionários da linha de produção, de ontem até o dia 15 de fevereiro. A unidade tem 12 mil metalúrgicos.
O trabalho extra aos sábados (dias 24 de janeiro e 7 de fevereiro) também vale para a unidade de São José, onde são produzidos o Corsa (toda linha), a picape S-10, a Blazer e caminhões. Até outubro, a produção diária daquela unidade era de 1.200 veículos. Em novembro, houve uma redução de 20% a 25%. A partir desta semana, a produção será retomada, mas haverá pequena redução (cujo índice não foi divulgado).
A GM não tem acordo de flexibilização da jornada de trabalho com o sindicato local. Na próxima sexta-feira, os 22 mil metalúrgicos da GM em São Caetano e em São José dos Campos vão receber a terceira parcela referente ao abono de PLR (Participação nos Lucros e Resultados) de 97. Inicialmente prevista de R$ 1.100, a terceira parcela será de R$ 1.030, pois a meta de produção para 97 não foi atingida. De 450 mil unidades previstas, a GM produziu 437.460.
As metas de qualidade e de absenteísmo (frequência no trabalho) foram atingidas. Os três itens compõem a base para os cálculos de PLR. A primeira parcela, de R$ 600, foi paga em junho, e a segunda (R$ 1.100), em agosto passado. No total, cada funcionário vai receber R$ 2.730.


