A General Motors já sabia de problemas com a fixação do cinto de segurança do Corsa antes de abril de 1999. A afirmação é do gerente de informática João Carlos Ayres De Almeida, que sofreu um acidente em setembro de 97 e comunicou a falha do cinto de segurança à montadora logo após o problema.
A GM reconhece que foi procurada por Almeida na época, mas alega não ter encontrado falhas no cinto. Afirma que o acidente não está relacionado ao recall anunciado na segunda-feira, que atingirá 1,3 milhão de veículos.
Na segunda-feira, a GM informou que só ficou sabendo da falha no cinto em abril de 1999, quando uma pessoa morreu em capotamento envolvendo uma picape Corsa, em Minas Gerais. O acidente de Almeida aconteceu no dia 27 de setembro de 1997, quando ele fraturou o esterno do peito. Ele afirma que a fratura ocorreu porque o cinto de segurança do Corsa (1996/1997), comprado em 1996, não segurou o impacto da batida em um Gol. Segundo Almeida, o cinto de segurança ‘‘desmontou’’ na hora do acidente e seu peito foi prensado no volante do Corsa.
Almeida guarda até hoje toda a documentação, que, segundo ele, comprova suas tentativas de ser atendido pela GM. Segundo o gerente, os advogados da montadora teriam dito que o Corsa não é um automóvel para um homem como ele, com 1,85 m e 95 quilos.
O Ministério Público Estadual de São Paulo vai abrir um inquérito e intimar a GM a prestar informações sobre a operação de recall do Corsa. Segundo o coordenador de promotorias de Defesa do Consumidor, Marco Antonio Zanellato, o próximo passo é abrir uma ação civil pública contra a GM caso seja confirmado que a empresa omitiu socorro às vítimas do Corsa. O Procon de São Paulo divulgará hoje as medidas que tomará contra a montadora, que entregou ontem explicações sobre a operação de recall.
Segundo a diretora de atendimento do Procon, Maria Lumena Sampaio, a GM pode ser multada em até 3 milhões de Ufirs (R$ 3,1 milhões) e sofrer um inquérito judicial.
PalioA Fiat Automóveis vai chamar os proprietários de Palio 1.0 para colocar um reforço na peça de suporte do cinto de segurança. O recall – que a empresa prefere chamar de ação preventiva – deve ser anunciado hoje, e o início do conserto deve ocorrer nos próximos dias. O número de veículos envolvidos é estimado em cerca de 400 mil. Os modelos 2001 não estão incluídos. A medida ocorrerá três dias depois do início do recall feito pela GM, o maior do Brasil.

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