GM recua e baixa reajuste para 5,5%
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sexta-feira, 22 de janeiro de 1999
Agência Estado 
A General Motors voltou atrás e anunciou ontem que reduziu os percentuais de reajuste de preços. O teto, que era de 11,37% na tabela anunciada terça-feira, passa a ser de 5,5%. Na linha Corsa, que já havia recebido o índice mais baixo, não houve alteração e o preço dos modelos desta linha sobem 1,99%. Para o Astra, o percentual baixou de 7,98% para 5,5%. O Vectra sobe 5,3% - o reajuste anunciado terça-feira foi de 8,35%. O aumento da Blazer baixou de 11,37% para 5,55%. A picape S-10 terá variação de 2,99% a 4,46%. O aumento anunciado anteriormente foi de 10,98%.
Trata-se de uma prova de apoio ao Plano Real e ao presidente Fernando Henrique Cardoso, justificou o diretor de assuntos corporativos da GM, José Carlos Pinheiro Neto. Os preços serão válidos a partir de segunda-feira.
A decisão da General Motors de baixar os percentuais de reajuste de preços foi essencialmente política. Durante as quase 40 horas que se seguiram do anúncio do reajuste de até 11,37%, até a decisão de rever os índices, houve repúdio de sindicalistas, concessionários e até do próprio ministro da Comunicações, Pimenta da Veiga, que ontem cedo condenou a forma como a GM agia contra a economia brasileira. Mas a maior pressão foi feita na tarde de ontem, durante a reunião dos setores que discutem o programa de renovação da frota.
Exatamente no encontro que conseguiu fechar uma proposta que será levada ao governo federal, criou um mal-estar o fato de a montadora reajustar preços em índices tão elevados no momento em que cada parte - indústria, fornecedores e governo - discutia o que poderia ceder para baratear os carros para renovação da frota.
Presente no encontro no papel de presidente da entidade que representa a indústria automobilística - a Associação Nacional dos fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) - José Carlos Pinheiro Neto recebeu pressão de todos os lados.
Havia 36 pessoas na reunião, realizada no Palácio dos Bandeirantes. Primeiro foram os sindicalistas que protestaram. Ao sair do encontro, o vice-governador, Geraldo Alckmin, lamentou o reajuste. Se já está difícil vender carros sem aumento, vai ficar pior com o reajuste, disse.
A diretoria da General Motors passou a manhã de ontem reunida. Houve controvérsias à decisão de voltar atrás. Os executivos das áreas mais ligadas às relações com o governo tiveram que convencer os técnicos de que politicamente o aumento era inconveniente. Alguém teria esquecido que aumentos de preços não combinam com a discussão sobre a renovação da frota, que nada mais é do que um meio de elevar a produção - e aí entram redução de lucro e de impostos. O presidente da companhia, Frederick Henderson, não estava. Optou-se, então, por reduzir os índices. O teto de 11,37% baixou para 5,5%. Isso resultou numa média de aumentos de 3,8%. À exceção do Corsa, todos os demais modelos receberam aumentos menores. O Corsa subiu 1,99% porque é um carro muito menos atingido pela desvalorização cambial.
A quantidade de peças importadas do Corsa não chega a 10%. Na Blazer, por exemplo, o conteúdo local não passa de 60%. A diretoria da montadora afirma que nesta primeira fase vai absorver o aumento de custos. A empresa garante que os ganhos que a desvalorização cambial trará nas exportações - a GM exporta o equivalente a US$ 800 milhões por ano - não compensarão as perdas com as peças importadas mais caras.
Resta saber qual será a reação da Ford, que também elevou os preços ontem. Até agora a montadora não se pronunciou. Os reajustes dos veículos Ford variam de 2% a 11%. O Ka e o Fiesta receberam o índice mais baixo. Mas o reajuste do Escort, de 7%, já ficou acima do aumento do concorrente da General Motors - o Astra - que teve ajuste reduzido de 7,98% para 5,5%.


