Globocabo teve prejuízo de R$ 700 mi
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quarta-feira, 13 de março de 2002
Agência Estado 
São Paulo A Globocabo encerrou o ano passado com prejuízo de R$ 699,9 milhões, 61,1% maior do que a perda de R$ 434,5 milhões em 2000. A receita líquida da empresa subiu 9%, para R$ 1,146 bilhão, segundo o balanço do ano passado, apresentado ontem. Em 31 de dezembro, o patrimônio líquido da companhia era de R$ 7,749 milhões.
A Globocabo, que anteontem anunciou projeto de capitalização de R$ 1 bilhão com aportes dos principais acionistas e o plano de uma oferta de ações, fechou o ano passado com dívida líquida de R$ 1,521 bilhão. Esse montante representa crescimento de 7,1% sobre o endividamento líquido do final de 2000, que ficou em R$ 1,42 bilhão.
Os problemas da Globocabo vão além do pesado endividamento da empresa. O próprio negócio de televisão paga no Brasil está em xeque e apresenta um crescimento muito abaixo da estimativa da empresa e dos especialistas que acompanham o setor.
Um técnico da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou que a entidade deverá reavaliar todo o setor para entender os problemas que impedem avanço maior desse serviço, um dos poucos que não registrou forte expansão nos últimos anos na área de telecomunicações no Brasil.
A dúvida entre os técnicos oficiais é se seriam questões de infra-estrutura ou culturais e financeiras, com o brasileiro preferindo a televisão aberta ao invés de pagar para assistir programas específicos.
O balanço da empresa divulgado ontem mostra que a Globocabo registrou prejuízo de R$ 700 milhões no ano passado e a empresa está fazendo aumento de capital no montante de R$ 1 bilhão, dos quais R$ 540 milhões aportados pelas Organizações Globo, controladora da empresa.
A empresa de TV por assinatura registrou queda de 1,4% na base de assinantes no quarto trimestre do ano passado, em relação ao trimestre anterior. A empresa encerrou o ano com uma base de 1,428 milhão de pagantes.
No relatório de desempenho, a companhia diz que esse resultado era esperado por causa da conjugação de eventos ocorridos em 2001, como a desvalorização cambial, que limitou o nível de investimento da companhia, o plano de racionamento de energia, a desaceleração da economia e a consequente queda de confiança dos consumidores. A base total de assinantes, que inclui os temporariamente desabilitados, caiu 1,5%.
O churn (taxa de desconexão) anualizado de TV por assinatura do trimestre ficou em 19,3%, abaixo de 20%, e dentro do nível que a empresa entende como normal, dada a natureza do negócio.


