Edson MazzettoSob chuvasO senador José Eduardo, o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, e outros diretores percorrem o Ceta, muito visitado, apesar das chuvasO senador José Eduardo de Andrade Vieira (PTB) enfatizou ontem, em Cascavel, a necessidade de maiores investimentos oficiais na pesquisa agropecuária, como exigência da globalização da economia, que requer poder de competição no mercado. O senador visitou o Show Rural aberto ontem pela Coopavel, em seu Centro de Experimentação e Treinamento Agropecuário (Ceta), à margem da BR-277 e a 15 quilômetros da cidade.
O Show Rural, anual, é apresentado como um dos principais eventos nacionais em termos de difusão de experiências e tecnologias de produção. O sistema cooperativista e empresas mostram campos de experimentação, maquinários e insumos que desenvolvem, ‘‘e que resultam em maior produtividade e qualidade’’, observou o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli. Ontem, apesar das chuvas, quatro mil pessoas estiveram no Ceta, e até sexta-feira, último dia, ele deve ter sido visitado por cerca de vinte mil pessoas.
O senador José Eduardo disse que a carência de recursos oficiais para a pesquisa é a mesma da saúde e outras áreas. Ele lembrou ser autor de projeto criando incentivos fiscais para ampliar a pesquisa no País, ‘‘mas até hoje ele não foi aprovado’’. No entanto, destacou que, como ministro da Agricultura, orientou a Embrapa a direcionar seus programas para o atendimento ‘‘à demandas regionais’’, e também introduziu o zoneamento agrícola, ‘‘de extrema importância’’.
Segundo José Eduardo, o governo ‘‘e especialmente o presidente da República’’ estão conscientes da necessidade de investir mais na pesquisa. Para ele, a superação das discussões sobre reeleição ‘‘fortalece o governo e permitirá ao Congresso aprovar as reformas necessárias, com direcionamento de recursos para setores efetivamente prioritários’’. Segundo o senador, o ‘‘custo Brasil’’ deve ser reduzido pela esfera oficial, ‘‘e os próprios produtores devem reduzir custos e ao mesmo tempo elevar a produtividade, para terem competitividade’’.
Osmar Dias O senador Osmar Dias, que também visitou o ‘‘show’’ observou que ‘‘98% de todas as tecnologias desenvolvidas’’ estão concentradas em países desenvolvidos, o que precisa ser alterado ‘‘para que possamos nos inserir na globalização. Segundo Dias, o governo ‘‘não fez planejamento para estes tempos modernos’’. Se houvessem condições para produzir nesta safra ‘‘mais de cem milhões de toneladas’’, o País ‘‘não teria dificuldade para colocar sua produção’’, acrescentou.
A falta de uma lei de proteção de cultivares (‘‘emperrada’’ no Congresso) é uma das barreiras para investimentos privados - especialmente internacionais - na pesquisa interna, de acordo com o senador. Paralelamente, disse que as instituições públicas ‘‘estão sucateadas’’, e citou o caso do Instituto Agronômico do Paraná, ‘‘que não tem recursos sequer para comprar reagentes para o laboratório’’.

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