Globalização requer pesquisa
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terça-feira, 04 de fevereiro de 1997
Paulo Pegoraro Sucursal de Cascavel 
Edson MazzettoSob chuvasO senador José Eduardo, o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, e outros diretores percorrem o Ceta, muito visitado, apesar das chuvasO senador José Eduardo de Andrade Vieira (PTB) enfatizou ontem, em Cascavel, a necessidade de maiores investimentos oficiais na pesquisa agropecuária, como exigência da globalização da economia, que requer poder de competição no mercado. O senador visitou o Show Rural aberto ontem pela Coopavel, em seu Centro de Experimentação e Treinamento Agropecuário (Ceta), à margem da BR-277 e a 15 quilômetros da cidade.
O Show Rural, anual, é apresentado como um dos principais eventos nacionais em termos de difusão de experiências e tecnologias de produção. O sistema cooperativista e empresas mostram campos de experimentação, maquinários e insumos que desenvolvem, e que resultam em maior produtividade e qualidade, observou o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli. Ontem, apesar das chuvas, quatro mil pessoas estiveram no Ceta, e até sexta-feira, último dia, ele deve ter sido visitado por cerca de vinte mil pessoas.
O senador José Eduardo disse que a carência de recursos oficiais para a pesquisa é a mesma da saúde e outras áreas. Ele lembrou ser autor de projeto criando incentivos fiscais para ampliar a pesquisa no País, mas até hoje ele não foi aprovado. No entanto, destacou que, como ministro da Agricultura, orientou a Embrapa a direcionar seus programas para o atendimento à demandas regionais, e também introduziu o zoneamento agrícola, de extrema importância.
Segundo José Eduardo, o governo e especialmente o presidente da República estão conscientes da necessidade de investir mais na pesquisa. Para ele, a superação das discussões sobre reeleição fortalece o governo e permitirá ao Congresso aprovar as reformas necessárias, com direcionamento de recursos para setores efetivamente prioritários. Segundo o senador, o custo Brasil deve ser reduzido pela esfera oficial, e os próprios produtores devem reduzir custos e ao mesmo tempo elevar a produtividade, para terem competitividade.
Osmar Dias O senador Osmar Dias, que também visitou o show observou que 98% de todas as tecnologias desenvolvidas estão concentradas em países desenvolvidos, o que precisa ser alterado para que possamos nos inserir na globalização. Segundo Dias, o governo não fez planejamento para estes tempos modernos. Se houvessem condições para produzir nesta safra mais de cem milhões de toneladas, o País não teria dificuldade para colocar sua produção, acrescentou.
A falta de uma lei de proteção de cultivares (emperrada no Congresso) é uma das barreiras para investimentos privados - especialmente internacionais - na pesquisa interna, de acordo com o senador. Paralelamente, disse que as instituições públicas estão sucateadas, e citou o caso do Instituto Agronômico do Paraná, que não tem recursos sequer para comprar reagentes para o laboratório.


