Globalização moderniza cooperativas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de dezembro de 1996
Mariângela Heredia Agência Estado 
O sistema cooperativista luta para modernizar-se e ocupar espaços na economia brasileira, nessa fase marcada pela globalização e a competição acirrada por mercados. Os principais dirigentes do movimento cooperativista brasileiro estão convencidos de que o segmento que representam tem respostas adequadas para desafios como o desemprego, a racionalização do processo produtivo e o estímulo à integração econômica de trabalhadores e empresários de menor porte.
O presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Dejandir Dalpasqualle acredita que o sistema passa por um momento de modernização e de uma atuação mais efetiva, com forte crescimento dos segmentos cooperativos de trabalho e habitacional.
Outra área que ressurge com força, em sua opinião, é o de cooperativas de crédito, até então obstruídas em seu crescimento pela atuação dos bancos públicos e privados que tentavam evitar o acirramento da concorrência. Em novembro do ano passado, o presidente Fernando Henrique Cardoso autorizou a criação de bancos cooperativos por meio de uma resolução do Conselho Monetário Nacional e em março deste ano surgiu o Bancicred, primeiro banco cooperativo do País. A tendência é de expansão dos bancos cooperativos e Dalpasqualle informa que o próximo a entrar em funcionamento será o Banco Cooperativo do Brasil. O novo banco terá sede em Brasília e atendimento multirregional a 7 estados e o Distrito Federal.
Dalpasqualle lembra ainda que o sistema cooperativista responde por 6% do Produto Interno Bruto (PIB), além de produzir e comercializar mais de 60% do trigo, 50% do leite, 44% da cevada e ter participação expressiva na produção agrícola de algodão, soja, café e suínos. Ele admite que o sistema cooperativista passou por sérios problemas, principalmente no segmento agropecuário, em função dos baixos preços e da crise de renda na agricultura com a safra 1994/95. Mas avalia que há muito espaço para crescimento do setor no Brasil.
O presidente da OCB observa que a Dinamarca, com oito milhões de habitantes, tem 14 mil cooperativas e a Holanda, que é do tamanho da metade do Estado de Santa Catarina, tem 3.500 cooperativas de crédito. No Brasil, os números oficiais indicam que existem cerca de 4 mil cooperativas em 11 diferentes segmentos, com mais de 3,7 milhões de associados. Dalpasqualle afirma que o setor cooperativista pode ser um grande parceiro do governo, principalmente na absorção de mão-de-obra por meio das cooperativas de trabalho e na construção de casas e apartamentos, pelas cooperativas habitacionais.
O presidente para as Américas da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), Roberto Rodrigues lembra que dados divulgados recentemente pela Organização Internacional do Trabalho revelam que existe um bilhão de desempregados no planeta, e aponta o cooperativismo como uma nova saída para a aglutinação destas pessoas no processo produtivo.


