Globalização epidêmica
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de abril de 2001
Paulo Afonso Rodrigues 
Nos últimos meses, presenciamos diversas crises em todos os setores, a começar nos meios de produção quando o Canadá impôs ao mercado, com toda a desinformação, a crise da vaca louca. Especialistas mencionam que as notícias nada mais eram do que uma forma de boicotar a terceira maior potência em exportação de carne e a futura maior potência no setor, já que o Brasil possui o maior rebanho comercial do mundo. Por sua vez o México, junto com os Estados Unidos, se unem no boicote à carne brasileira, com o lançamento indevido da insanidade de nosso rebanho, comentado pelo Canadá.
Os países de menor expressão foram ludibriados a também boicotar nosso produto, penalizando, sobremaneira, o setor pecuário nacional. Utilizando um ditado popular, infelizmente, o castigo veio à cavalo, com a divulgação dos problemas sanitários ocorridos no rebanho europeu trazidos pela vaca louca e, mais recentemente, pela febre aftosa.
Temos também, após a erradicação da peste suína e febre aftosa, um crescimento satisfatório nas exportações dos derivados da suinocultura, em que as pequenas propriedades são destaque na produção do gênero. Outro destaque é a grande evolução da ovinocultura, que tem conquistado espaço na exportação a cada dia, agregando novos mercados internacionais. Não se pode esquecer que 90% desta produção também advém de pequenas propriedades.
Sofremos na produção de grãos a concorrência do mercado internacional, principalmente dos Estados Unidos, o qual possui uma política agrícola própria voltada ao mercado interno, ressaltando-se os subsídios. Porém, o efeito cascata que isto causa nas economias emergentes demonstra a voracidade do capitalismo selvagem, como também, a força do mercado.
As bolsas funcionam como um termômetro de preços tendo como parâmetro a produção das grandes potências. O produtor brasileiro está acostumado a ver a soja americana em franca produção, ao mesmo tempo que sente-se tolhido dos seus sonhos de crescimento. Este mesmo mercado penaliza o produtor de milho, soja, algodão, laranja. Enfim, os preços estão relacionados com os estoques e expectativas internacionais de cada produto.
Estamos sofrendo, recentemente, com a crise Argentina, com a queda do Ministro da Economia e o retorno do poderoso Ministro Domingo Cavallo como última saída para a economia dolarizada argentina. Desta forma, estamos sofrendo na pele minuto a minuto, segundo a segundo, com o excesso de informações e, os corneteiros e especuladores de plantão, colocam o mercado a mercê de todas as suas vontades e interesses.
Daí o título deste artigo: a globalização é importante para os mercados como forma de evolução e atualização. No entanto, os pequenos países e as pequenas economias sofrem as retaliações destes mercados. Os produtos brasileiros de origem animal se encontram em ótima qualidade fito-sanitário. Todos, no país, ganham com esta conquista e também com as altas produtividades no campo, aumentando o nosso PIB e melhorando as condições de vida dos produtores e o desempenho da cadeia produtiva.
Mas, a globalização imposta pode ser epidêmica, no momento em que estamos sofrendo as retaliações e os efeito dos nossos vizinhos com problemas na economia, como é o caso da Argentina. Em todos os setores, com a informação veloz imposta nos mercados, só terá vez quem se adaptar às mudanças e estiver voltado para os efeitos da constante e inevitável globalização mundial.
PAULO AFONSO RODRIGUES é contabilista, ex-gerente de banco e assessor financeiro em Londrina/PR
[email protected] / www.afiplan.hpg.com.br


