Óleo de girassol tende a ganhar espaço no mercado, prevê EmbrapaA Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa) realiza hoje e amanhã em Toledo, no Oeste do Paraná, treinamento de agrônomos e técnicos de cooperativas e empresas privadas para a assistência à cultura do girassol, que está se expandindo com boas possibilidades de renda para os produtores. As faculdades de Agronomia por enquanto dedicam pouca atenção à esta cultura, na formação de profissionais, por ser ela de recente introdução no País, por isso a necessidade de treinamento especial. Até maio de 95, praticamente inexistia o cultivo da oleaginosa, e até para ração para pássaros havia necessidade de importar.
Naquele mês, em função de desdobramentos de acordos no âmbito do Mercado Comum do Sul (Mercosul), foram eliminadas restrições à importação de sementes da Argentina, onde o grande fornecedor é a empresa ‘‘Morgan’’. O agrônomo Gilberto Grando, gerente do Departamento de Girassol da empresa ‘‘Herbioeste’’, de Toledo, que revende sementes e compra grãos, observa que toda a semente utilizada no Brasil vem do vizinho país.
Grando atuou durante cinco anos na ‘‘Morgan’’, na Argentina, e ajudou a difundir a cultura no Paraguai e na Bolívia. O agrônomo relata que a primeira safra brasileira foi colhida em apenas 400 hectares, mas a seguir foram 15 mil, em 96, e a estimativa mínima é de 30 mil hectares em 97, com possibilidade de chegar a 70 mil de plantio, que geralmente é feito em junho, para colheita em 120 dias.
A cultura exige umidade na fase inicial e clima seco quando se aproxima da colheita. Ensaios da Embrapa mostraram uma produtividade médias de 2.3 mil quilos por hectare na Região Sul, e, de acordo com Gilberto Grando, o custo de produção é entre 800 e 1,1 mil quilos por hectare, e a tonelada é vendida por cerca de R$ 170,00.
O agrônomo relata que as possibilidades de mercado são cada vez maiores, porque o consumo de óleo de girassol aumenta, principalmente entre a população de maior poder aquisitivo. Ele cita que a Embrapa prevê para o ano 2000 a necessidade de cultivo de 750 mil hectares, para garantir o abastecimento interno, ‘‘ou então, precisaremos de R$ 250 milhões para importações’’.
No Oeste, já começa a ser introduzida inclusive a safrinha de verão, após a colheita de produtos tradicionais da época, como soja e milho. Segundo Gilberto Grando, o treinamento de agrônomos e técnicos, para a assistência técnica, deve ser ‘‘novo importante fator de estímulo’’ à expansão da cultura na região.

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