Gionédis reúne-se com direção do Banestado. Leilão pode ser adiado
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terça-feira, 10 de outubro de 2000
Carmem Murara De Curitiba 
O secretário da Fazenda Giovani Gionédis e o vice-presidente do Banestado José Evangelista de Sousa estiveram reunidos ontem à noite, por mais de três horas, para discutir o adiamento do leilão de privatização do banco, marcado para esta terça-feira, 17. A proposta foi levada ao secretário por Evangelista e pelo diretor financeiro Valdemar Borgaro, no final da tarde. Os dois sustentavam que a mudança na data poderá representar garantia de maior preço do banco, avaliado em R$ 434 milhões.
Uma equipe técnica da Procuradoria Geral do Estado também esteve presente na reunião. O procurador geral Joel Coimbra, que não pôde participar do encontro, não quis adiantar detalhes das razões que levaram os diretores do Banestado e membros do governo a se reunirem às pressas. Mas ele confirmou que o adiamento da venda era o ponto central. Eles estudam essa proposta por uma questão estratégica, afirmou Coimbra. À noite, por telefone, o chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, confirmou à Folha a informação de que o adiamento estava em pauta. Estamos discutindo esse assunto desde a manhã de hoje. Não posso adiantar mais nada. Vou me reunir com o governador.
O adiamento do leilão tem sido defendido à exaustão pelo presidente do Banestado, Reinhold Stephanes, e sua equipe mais próxima. Stephanes alega que o Banestado perderá preço de venda, pois sua privatização está muito próxima da venda do Banespa, marcada para meados de novembro .
Os mesmos bancos que se pré-qualificaram para o Banestado (Bradesco, Unibanco, Itaú, Santander) estão interessados e credenciados para a compra do Banespa. O receio de Stephanes é que eles não tenham bala na agulha para comprar dois bancos estaduais e, por isso, desistam do Banestado. Até ontem, o governo sequer admitia a hipótese de discutir alteração no cronograma de privatização do Banestado. Até o fechamento da edição não havia uma definição.
Adiar o leilão também é objetivo dos senadores paranaenses Osmar Dias (PSDB), Alvaro Dias (PSDB) e Roberto Requião (PMDB), que entraram ontem na Justiça Federal com uma ação popular para tentar cancelar o leilão de privatização. Eles alegam que houve falhas na condução do processo de venda, mas o principal argumento é de que o Banestado foi subavaliado pelos bancos Fator e Credit de France. A ação é subscrita ainda pelo ex-presidente do Banestado, Luiz Antonio Fayet. A ação dos senadores se somará a outras oito propostas pelo Sindicato dos Bancários nas últimas semanas. Até agora, não houve liminar em nenhum dos processos.


