A ambição brasileira pelo mercado chinês tem pelo menos quatro anos. Oficializou-se em 2001, quando o Planalto apoiou o ingresso da China na Organização Mundial de Comércio (OMC). Em troca, o governo Lula busca junto à Beijing a redução das tarifas alfandegárias, que oneram os produtos brasileiros em até 40% dos preços. ''Este é, sem dúvida, a nossa maior barreira'', destacou Haroldo Bonfá.
Nem esta tarifa, no entanto, assusta os empresários brasileiros. A ansiedade pela entrada no mercado chinês explica-se, primariamente, pela população do País: 1,8 bilhão de habitantes. ''Se cada chinês tomasse uma xícara de café por dia, precisaríamos de mais 47 fábricas de grande porte para atender à este mercado'', exemplificou o diretor da Cacique. ''Estas taxas, porém, estão caindo e algumas já se reduziram à metade desde o ingresso da China na OMC'', destacou o presidente da Câmara.
Todos os números relativos ao mercado chinês são gigantescos. Eles compram 55% de todo o cimento e 36% de todo o aço produzido no mundo. Negociam anualmente US$ 1,3 trilhão com os demais países do planeta e têm, em reservas para gastos em 2005, cerca de US$ 730 bilhões, o maior volume de dinheiro em caixa no mundo atualmente.
Com a chegada de um escritório da CCIBC em Londrina, a expectativa é de que a região possa colaborar com o crescente volume de relações comerciais entre os dois países, estagnada por cerca de 15 anos até 1999, período em que os negócios Brasil-China nunca ultrapassaram a marca do US$ 1,5 bilhão. ''Este paradigma já mudou. O Brasil já tem uma relação superavitária com a China na ordem de US$ 6 bilhões nos últimos quatro anos'', comemorou Tang.
A ordem, a partir da instalação do escritório da CCIBC, é correr atrás, segundo o mestre em administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, José Emílio Granato. ''Quem tem interesse tem que se mexer. Buscar, inicialmente as adaptações culturais que o mercado em questão exige. Definir as estratégias para penetração e, em seguida, encontrar os parceiros certos, um papel que a Câmara deve assumir para as indústrias desta região'', explicou. (A.M.)

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