Muita gente se pergunta porque o governo reluta tanto em acelerar a Reforma Tributária e, como espera o empresariado brasileiro, reduzir a carga de impostos que hoje chega a 38% do Produto Interno Bruto (PIB). A resposta, na verdade, está em seu próprio gigantismo. O Estado brasileiro, como é hoje, mais parece um mastodonte movimentando-se numa era que já não é mais a sua.
Se o cidadão comum prestar atenção na sua própria economia doméstica ele vai entender o que acontece com o governo brasileiro. Se você ganha R$ 2 mil por mês para manter sua casa e gasta R$ 3 mil, o déficit mensal é de R$ 1 mil. Para resolver essa questão não há mágica. Existem apenas duas soluções: reduzir os custos da casa ou encontrar uma atividade que lhe proporcione um rendimento financeiro melhor.
O mesmo acontece com as empresas. Quando estão em dificuldades a primeira coisa a fazer é reduzir custos e aumentar a produtividade. Curiosamente no governo, que deveria dar o exemplo, isso não é aplicado.
Quando o caixa está baixo o governo, ao invés de reduzir custos, aumenta os impostos para suprir sua necessidade. E quem acaba pagando a conta é o contribuinte. No Brasil isso acontece desde sempre. Como parece não ter a menor intenção de se modernizar e reduzir o próprio tamanho, o governo empurra com a barriga a Reforma Tributária. O problema é que essa demora emperra a economia e desestimula os empresários que temem fazer novos investimentos.
Segundo o presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Antonio Oliveira Santos, não adianta a Reforma Tributária ser aprovada se o governo não cortar gastos, enxugar a máquina. ''As despesas com pessoal saltaram de R$ 75 bilhões em 2002 para R$ 98 bilhões estimados para 2005,, um aumento de 31% em apenas três anos'', afirma Santos. O presidente da CNC comenta que a ''sensação é de asfixia''. ''De um lado o contribuinte luta para sobreviver à quantidade de impostos, taxas e contribuições, do outro o Estado não demonstra a menor sensibilidade para resolver o problema''. Não é à toa que para fugir da gula governamental, 40% dos empreendedores brasileiros refugiam-se na economia informal.
Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Serviços, Assessoria, Contabilidade e Perícia de Londrina (Sescap-Ld), José Joaquim Ribeiro, o governo é um péssimo gestor das contas públicas. ''Eles criaram a CPMF para resolver o problema da saúde. Como todos sabem a saúde continua um caos. Eles criaram a CIDE para solucionar o problema das estradas, e todo mundo sabe como andam nossas estradas. O governo é um mal gestor. E os nossos políticos só brigam para resolver sua própria situação''.
Ribeiro afirma que o descontentamento é geral e é preciso que os empresários se unam para cobrar uma solução dos parlamentares. ''Nós estamos chegando ao fundo do poço. Temos não só que pressionar para a aprovação da Reforma Tributária mas também fazer o governo entender que sem enxugar a máquina estatal e cortar gastos, pouco vai mudar'', comenta.

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