Além da geada que atingiu boa parte das lavouras nessa semana, cujo dano ainda não foi contabilizado, a alta incidência de Giberela, registrada nos campos paranaenses nas últimas safras, pode trazer ainda mais prejuízos para os produtores nesta safra. Segundo especialistas da área, a eliminação do fungo neste ano está mais difícil, principalmente nas regiões onde os produtores plantaram mais cedo. O motivo se deu pelo alto volume de chuva que atingiu o Estado na fase de floração e espigamento da cultura e que dificultou a aplicação de defensivos contra a Giberela.
De acordo com Yeshwant Mehta, fitopatologista do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), nas regiões ondo o plantio ocorreu mais cedo, como no Sudoeste do Estado, na fase de espigamento e floração - momento propício para a aplicação de fungicidas - choveu muito, impossibilitando o produtor de fazer a aplicação. "Para combater a doença, o produto precisa ser aplicado no período certo", destacou Mehta, durante workshop sobre doenças do trigo ocorrido ontem, na sede da Embrapa Soja, em Londrina.
Ela salientou que controlar a Giberela é um problema por causa do clima. "Nesse ano choveu muito em muitas regiões produtoras, o que comprometeu o combate à doença. Segundo ele, em casos mais agressivos, a Giberela pode causar uma perda de até 60% da produção. "A maior dificuldade do produtor continua sendo acertar o período certo de aplicar os defensivos", reforçou.
Mehta completou que se não houver cuidados, o fungo vai criando novos patógenos (raças) e tornando-se ainda mais resistente. "Uma das soluções para resolver esse problema seria também a criação de cultivares resistentes", observou o especialista. Ele ressaltou que pesquisas estão sendo realizadas no Brasil com variedades de trigo da China, as quais já apontam bons resultados.

Workshop
Luis César Vieira Tavares, pesquisador da Embrapa Soja, explicou que o objetivo do evento foi levar aos técnicos representantes de empresas e de cooperativas da região novas pesquisas de variedades resistentes não só contra a Giberela, mas também contra outras doenças que atacam a cultura. "Há muitas dúvidas que cercam o setor sobre doenças", observou Tavares.
Um dos temas abordados pelo evento foi o uso do controle químico em doenças do trigo. O engenheiro agrônomo Carlos Utiamada, da empresa Tagro Tecnologia Agropecuária, disse durante a sua palestra que o controle da Giberela tem se tornado cada vez mais difícil. Um dos motivos seria a falta de produtos mais eficientes, além dos efeitos climáticos. "Inverno com chuva o fungo deita e rola", brincou o especialista.
Carlos Kamiguchi, produtor de Mauá da Serra, não teve, até o momento, infestação com Giberela. O motivo, suspeita ele, se deve ao fato de sua lavoura ter sofrido com a geada ocorrida nos últimos dias em sua região. Para evitar a incidência da doença, ele espera o período de maior floração para a aplicação de defensivos. "Mesmo com os cuidados, também temos que contar com a sorte", lembrou o produtor. Neste ano, ele destinou 350 hectares para a cultura, mas ainda não sabe o quanto vai colher por causa da geada.

Produção
De acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o Paraná espera produzir na safra 2012/13, sem contar com o possível prejuízo das geadas, 2,67 milhões de toneladas de trigo, volume 27% superior ao registrado no ciclo anterior. Em área, o Estado destinou mais de 940 mil hectares para a cultura, 20% a mais em relação à safra 2011/12.

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