Giannetti prega 'revolução cultural'
O secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Roberto Giannetti da Fonseca, defende o governo, responsabilizando também os empresários pela situação do comércio exterior. Ele acredita que uma revolução cultural no setor depende, em grande parte, da atitude do empresariado, que ainda tem de aprender a manipular os instrumentos de marketing para ganhar novos mercados. O governo tem de criar a conjuntura para isso e está fazendo, a prova é que os juros estão caindo, a classificação de risco do Brasil está diminuindo e está em estudo uma reforma tributária, argumenta.
Os empresários brasileiros ainda são muito provincianos com relação ao comércio, mas a globalização impõe uma mudança de atitude, pondera Giannetti. A moda praia do Brasil tinha de ser a primeira do mundo, o café também e nós temos condições de dobrar ou triplicar nossas exportações de sapatos, não estamos vendendo, mas sendo comprados, afirma. Segundo Giannetti, a maioria das exportações brasileiras é fruto de negócios fechados pela procura dos importadores e não pela iniciativa das empresas.
Para os empresários, o governo é quem deveria ser o responsável pela criação da marca Brasil. Falar do Brasil no exterior, convencer os mercados de que investir no Brasil e comprar produtos brasileiros vale a pena é tarefa do governo, como fez o embaixador Paulo de Tarso Flexa Lima e o embaixador Rubens Barbosa em Londres e nos Estados Unidos, diz Piva. Porque os outros embaixadores não fazem isso? A Abracex acusa o governo de ouvir apenas as grandes empresas.
Segundo Segatto, os ministros falam sempre com os mesmos grandes empresários e com as multinacionais. Apenas um grupo de meia dúzia consegue audiência com ministros, acusa. Ele também afirma que há resistência dos especialistas do governo quando são convidados para falar com empresários sobre exportações.
Ele conta que a Abracex tentou fazer seminários e cursos para ensinar pequenos empresários a exportar e não conseguiu ajuda financeira do governo nem da Agência de Promoção de Exportações (Apex), nem de bancos privados.
O presidente do Conselho dos Empresários da América Latina (Ceal), Roberto da Costa Teixeira, faz um mea culpa. Segundo ele há pouca representatividade dos empresários brasileiros nos fóruns internacionais, como discussões para a formação da Área de Livre Comércios das Américas (Alca), da Organização Mundial do Comércio (OMC) ou em negociações do Mercosul.





