Antecipar para 2003 o fim das negocições sobre as regras da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) poderá expor a economia do Brasil a uma competitividade agressiva para a qual o País não estará preparado antes de corrigir desvantagens internas, como a carga tributária excessiva e falhas na estrutura logística. Essa é a opinião do secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Roberto Giannetti da Fonseca. Ele defendeu ontem, depois de participar do Seminário sobre Integração Hemisférica, promovido em Brasília pelo Instituto Teotônio Vilela, que o Mercosul mantenha o calendário original da Alca, segundo o qual as negociações terminariam em 2005.
A proposta de antecipar o fim das negociações para 2003 foi feita pelo Chile no início da semana e recebeu apoio da Argentina, mas a idéia ainda não foi debatida no Mercosul, e deverá ser mais um tema a ser discutido no encontro de Cúpula do bloco, nos dias 14 e 15, em Florianópolis. Para o secretário da Camex, porém, o Brasil ficaria vulnerável se houvesse redução das tarifas antes da reforma tributária e de que fossem melhoradas as condições logísticas para a produção e o comércio, como infraestrutura de transportes e regras de aduana, por exemplo.
Na avaliação de Giannetti, o processo de integração hemisférica tem de ser feito com ‘‘paciência para proporcionar a melhor alocação dos recursos’’. Segundo ele, há vantagens e desvantagens em unir o hemisfério em um bloco de livre comércio. ‘‘O Brasil e a América Latina têm muito a ganhar com exportação de agronegócios, sobretudo a Argentina que tem um excelente desempenho nessa área’’, disse.

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