Gianetti diz que Brasil deve ser intransigente com o Chile
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terça-feira, 05 de dezembro de 2000
Agência Estado De Brasília 
O Brasil terá de ser intransigente na exigência de compensações comerciais do Chile, caso o país forme uma área de livre comércio com os Estados Unidos. Essa é a opinião do secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Roberto Giannetti da Fonseca. A decisão do Chile nos deixou perplexos e frustrados, porque estávamos dando muito valor ao ingresso daquele país no Mercosul, disse.
A importância do Chile para o bloco não é tanto pelo tamanho de sua economia, mas porque é um país emblemático dentro da América Latina, explicou Giannetti. Pelas regras da Associação Latino-Americana de Desenvolvimento e Integração (Aladi), da qual o Chile é membro, qualquer vantagem comercial negociada com outro país tem de ser estendida aos demais integrantes. Se o Chile negocia com os EUA e baixa sua tarifa de importação de automóveis para zero, pela regra da Aladi o Brasil tem direito a também exportar carros para o Chile com alíquota zero, disse.
É isso que vamos exigir deles. Para fontes do Itamaraty, o anúncio da negociação de uma área de livre comércio entre os EUA e o Chile foi uma espécie de compensação pelo fato de os americanos terem iniciado um acordo semelhante com Cingapura, há duas semanas. Como os chilenos tentam negociar com os EUA há mais de cinco anos, eles teriam se sentido preteridos. Chile, EUA e Cingapura fazem parte, junto com a Nova Zelândia e a Austrália, de um acordo comercial chamado P-5,, que deverá ser transformado em uma área de livre comércio do Pacífico.
Exemplo Ao contrário dos diplomatas, que não vêem risco de um avanço dos EUA sobre os países latino-americanos, o secretário da Camex teme que outras economias da região sigam o exemplo do Chile e comecem a fazer acordos. Se os EUA começam a negociar com cada país, a Alca vai virar um contrato de adesão, comentou. Ele explicou que ficaria mais difícil para o Brasil negociar as regras da Alca (Área de Livre Comércio das Américas), uma vez que haveria cada vez menos países dispostos a brigar para impor suas condições para ingressar no bloco. Poderíamos ficar isolados.
Questionado se a Argentina também poderia começar a negociar isoladamente com os EUA, ele não afastou a possibilidade. O Chile foi uma surpresa desagradável.
Na sua avaliação, se esse cenário pessimista ocorrer, haveria uma tendência cada vez maior de as regras dos EUA prevalecerem sobre o desejo dos demais países, que passariam simplesmente a aderir. A estratégia do Brasil era justamente fortalecer o Mercosul e as outras economias da região, antes de expor as economias do Sul à concorrência com os EUA e o Canadá.
Na interpretação do embaixador brasileiro nos EUA, Rubens Barbosa, a atitude do Chile foi coerente com um projeto nacional de inserção do país no mercado mundial. Os EUA, por sua vez, agiram de acordo com sua política de aproximação com a América Latina. Temos de aprender a fazer como eles e defender nosso interesse nacional, disse. O Brasil faz isso quando o ministro (das Relações Exteriores), Luiz Felipe Lampreia anuncia a suspensão das negociações entre Mercosul e Chile.
Tanto Barbosa como Giannetti afirmam que a
exclusão do Chile da união aduaneira não é o fim do Mercosul. O Mercosul continua igual, disse Barbosa. O Mercosul começou sem o Chile e vai continuar sem o Chile, completou Giannetti.


