Gestão-trabalho: nova mentalidade
Ao longo dos últimos anos, muitos sistemas para melhoria da produtividade nas organizações foram largamente disseminados pelo mundo afora. Esses sistemas, quando introduzidos, parecem trabalhar para melhorar a produtividade dos locais de trabalho. Entretanto, quando o conceito original do método de produção não é compreendido profundamente, surge uma grande quantidade de casos mal sucedidos.
Na maioria das vezes, os sistemas parecem operar bem, a princípio, mas os efeitos positivos logo cessam quando não há uma atitude participativa e integrada entre gestão e trabalho. Antes de introduzir mudanças nos locais de trabalho, suas situações produtivas reais devem ser analisadas cuidadosamente (científica e numericamente), não esquecendo também de medir a capacidade competitiva da empresa. Os dados obtidos devem ser amplamente disseminados e conhecidos por todos, bem como os objetivos que a organização pretende alcançar com as alterações propostas.
Após a implementação das mudanças, os resultados devem ser informados, de acordo com a análise prévia, e compartilhados de forma justa aos participantes, incluindo os gestores e trabalhadores de todos os níveis da organização. Esta é uma das facetas que contribui para o estabelecimento de relações Gestão-Trabalho mais cooperativas e participativas.
Sabemos que as relações de trabalho são diferentes de país para país e de organização para organização. Porém, o sucesso dos empreendimentos depende, cada vez mais, do empenho e da capacidade dos colaboradores. Por isso mesmo, é fundamental investir num relacionamento mais moderno, ágil e arejado entre gestão e trabalho, no qual a cooperação entre ambos seja o ponto de partida para gerar bons produtos e prestar serviços de qualidade.
Somente trabalhadores satisfeitos podem satisfazer clientes. Em função desta realidade, o IBQP vem promovendo adaptações ao Sistema de Consulta Conjunta Gestão-Trabalho, visando atender às características das empresas e dos trabalhadores brasileiros. Esta ferramenta tem como principal objetivo estabelecer a real cooperação entre os dois lados desta mesma moeda, desenvolvendo um conjunto de atitudes mais positivas nas relações de trabalho. É importante que cada uma das pequenas conquistas neste setor seja sedimentada, para que surja uma nova mentalidade, tanto da parte dos patrões quanto dos colaboradores.
E uma vez que sejam estabelecidas relações Gestão-Trabalho mais cooperativas e participativas baseadas no compromisso e numa relação ganha-ganha as empresas brasileiras terão a oportunidade de aumentar a produtividade de forma extraordinária. Isto significa que os trabalhadores de uma determinada cadeia produtiva irão tornar-se consumidores mais interessantes para as demais cadeias produtivas. Como consequência, o País alcançará uma melhor qualidade de vida para todos os brasileiros.
HARUO WADA é perito da JICA (Japan International Cooperation Agency), gestor de projetos JPC-SED (Japan Productivity Center for Socio Economic Development), vinculado ao IBQP-PR.





