Gestão pública: novos tempos!
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de agosto de 1997
Hélio Cadore 
Não dá mais para brincar de ser empresário, certo? Correto! Afinal, com a tal da globalização batendo no nosso nariz a cada dia e a estabilização da economia se consolidando, fica difícil mascarar ineficiências de gestão. Aqueles tempos, saudosos para alguns - creio que para poucos, em que se empurrava para o cliente a improdutividade e a falta de qualidade, enrustidas na alta inflação que confundia o consumidor, são páginas viradas. Agora, a empresa que sonha em ser campeã no mundo dos negócios terá que se preparar e submeter-se a novas regras do jogo. Estamos saindo de um mercado de mera expansão para um mercado em expansão competitiva. E isto faz uma brutal diferença. Esse mercado faz as empresas mudarem de concepção, porque privilegia os melhores competidores. As empresas conectadas com essa nova realidade estão evoluindo da mera satisfação do preço para a fidelização do cliente. Ou seja, o cliente não percebe mais a empresa só pelo preço, mas pelo valor do que se oferece, manifestado através da qualidade, pontualidade, atendimento, pós-venda e outros.
Essa realidade da globalização e da competitividade que se impôs às empresas a partir de 1990, agora entra para valer na gestão pública. Não dá mais para brincar de ser gestor público. O modelo tradicional de gerir Município, gerir estado ou empresas pública, não resiste mais. Está falido! Os recursos, antes abundantes, agora escassearam, as demandas são outras. Não dá mais para justificar mandatos apenas inaugurando pontes, asfaltando ruas ou despachando com a população. É preciso ter projetos, ter planejamento estratégico com visão de futuro, fincar o pé na próxima geração e não apenas na próxima eleição.
A sociedade, hoje mais consciente, exige respostas mais afetivas para problemas como geração de oportunidades de trabalho, qualidade e efetividade dos serviços prestados. A sociedade se conscientiza de que é cliente do setor público e não seu refém.
Mudanças de paradigmas da gestão pública passam doravante a ser pré-requisitos para qualquer gestor de sucesso. Planejamento estratégico, visão de futuro, alianças estratégicas, já são condicionantes do sucesso do gestor público e com certeza serão o diferencial competitivo na hora do voto. A sociedade escolherá entre quem faz o município, região ou Estado acontecer em novos patamares, ou que, simplesmente, repetiu velhas práticas.
E não temos mais tempo a perder, tal a velocidade das mudanças em decorrência dos efeitos da globalização e da competitividade impactando em toda parte.
Já no Paraná, o Sebrae, antevendo essas mudanças, lançou o programa Homem Público, cujo cliente alvo são prefeitos, secretários municipais, vereadores e dirigentes de empresas públicas.
Sabemos que a transformação do Paraná em um Estado desenvolvido passa pela capacidade das lideranças políticas e empresariais de alavancarem esse processo de transformação, influenciando e oxigenando a sociedade com uma nova forma de pensar e agir. No patamar do terceiro milênio, vivemos tempos em que todos precisam aprender a aprender, não importa, a idade, o setor ou a função. Os paradigmas são outros e o diferencial não estará mais no tamanho, mas na velocidade. Não serão os grandes que engolirão os pequenos, mas os rápidos que atropelarão os lentos e isto, na forma de pensar e de agir.
- HÉLIO CADORE é diretor-superintendente do Sebrae/PR


