Gestão privada pode ajudar a pública
Dentro de pouco mais de dois meses a população brasileira irá escolher os novos prefeitos de 5.554 cidades. No Paraná, são 399 municípios. Poucas são as localidades onde a população está integralmente satisfeita com a atuação de seus gestores públicos. Por isso, a responsabilidade do eleitor é enorme.
Um dos temas de debate que vem surgindo neste momento é o porquê a gestão pública não tem a mesma eficiência da encontrada na iniciativa privada. O empresário Jorge Gerdau, depois de passar o comando da sua siderúrgica, que é uma das maiores do mundo, para o filho André, decidiu se dedicar a ensinar gestão empresarial para políticos com o objetivo de melhorar a máquina pública.
Para a Revista Exame Jorge Gerdau contou como decidiu colaborar para melhorar a gestão pública. ''Nós tínhamos aprendido com os japoneses que ter metodologia é tão ou mais importante do que o conhecimento, porque não adianta ter conhecimento sem metodologia. Uma das primeiras coisas que perguntamos ao gestor público é qual é a meta. Qualidade só se faz com meta. Qual é a nossa meta principal? A partir daí é possível começar a trabalhar e buscar a eficiência necessária'', diz Gerdau.
O presidente do Sescap-Ldr, Marcelo Odetto Esquiante afirma que a boa gestão no setor público pode produzir inúmeros benefícios, entre eles a redução de custos em vários setores. ''Quando você reduz custos, sua empresa fica mais competitiva e sobra dinheiro para investimentos em outras áreas prioritárias'', comenta Esquiante.
Para o consultor de empresas Ariovaldo Esgoti, de Londrina, é possível e importante levar ensinamentos de gestão da área privada para o setor público. Segundo ele, a imagem que se tem de que a empresa privada funciona melhor do que a empresa pública não é apenas retórica. É uma realidade e há alguns motivos que explicam isto. Esgoti diz que um dos principais problemas é a dificuldade que a gestão pública tem de readequar com a agilidade necessária o plano traçado pelo gestor.
''Na empresa privada o gestor define metas a cumprir e, dependendo da situação do mercado vai corrigindo falhas, adequando a proposta para atingir o objetivo traçado. Na gestão pública isto não ocorre com a mesma facilidade. O orçamento parece engessado, pois todas as decisões e mudanças de rota precisam ser respaldadas por leis''.
A professora de contabilidade da Universidade Estadual de Londrina, Maria Aparecida Scarpin, aponta outro problema que dificulta a eficiência da gestão pública em relação a gestão empresarial. Ela comenta que na iniciativa privada o presidente da empresa contrata profissionais qualificados nas suas áreas de atuação para assessorá-lo na condução do empreendimento. Já no setor público as indicações, via de regra, são políticas.
Outra questão apontada pela professora da UEL e pelo consultor de empresas é a falta de comprometimento verificada entre os servidores públicos. Segundo eles, da mesma forma que os funcionários de uma empresa privada seguem as orientações e o exemplo do presidente, os servidores públicos seguem a imagem do Se a pessoa comprar um produto em excesso e o produto estragar, ninguém será responsabilizado. Não há a mesma responsabilidade com o patrimônio como se vê na iniciativa privada'', afirma Sgoti.
''Não se percebe metas para reduzir custos. Compra-se em quantidades exageradas, quando se perde produtos coloca-se a desculpa na logística, e joga-se fora o dinheiro público. Por isto é preciso dar sempre o exemplo. O funcionário segue os desígnios do patrão ou do prefeito conforme o caso'', diz Maria Aparecida.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina - Sescap-Ldr





