Gestão do Conhecimento / Estratégia competitiva para as empresas (Hamil Adum Filho)
Gestão do Conhecimento
Estratégia competitiva para as empresas
Hamil Adum Filho
A sociedade está presenciando uma revolução extraordinariamente intensa, no que se refere ao modo de se fazer negócio. A evolução tecnológica está se dando de forma explosiva, levando empresas a mudar radicalmente sua postura negocial e estruturas organizacionais. As tecnologias relativas às áreas de manufatura, comunicação, transporte, finanças, etc, modificaram o perfil dos sistemas produtivos provando alterações profundas no processo de fabricação. As grandes fusões recentemente anunciadas por grandes corporações e alianças governamentais atestam as significativas mudanças no plano empresarial.
Neste sentido, como podemos participar das formulações que envolvem este novo panorama? As surpresas que o mundo nos apresenta diariamente podem e devem ser prevenidas. Isto é a essência da Inteligência Competitiva base fundamental para a Gestão do Conhecimento.
Entretanto, para que sejamos competitvos é necessário que construamos o conhecimento, que irá nos dar as condições de formulações de ações para o aproveitamento das oportunidades, a fim de que nossos pontos fortes sejam realmente utilizados de maneira a intimidar as ameaças que nos cercam, melhorando os nossos pontos fracos. É necessário que, através do conhecimento, estabeleçamos estratégias de ação que nos permitam conhecer a nossa competitividade e capacidade para transformamos nosso conhecimento em vantagem competitiva.
Informações que são coletadas, selecionadas e transformadas em ações, e que dão a seus gestores habilidades ímpares para que levem suas empresas a vanguarda dos negócios, são alguns elementos envolvidos na Gestão do Conhecimento.
Entretanto, conforme ensina Davenport, precisamos entender, claramente, que informação e dado não podem ser confundidos com Conhecimento, e que a diferença entre os dois (dado - informação) é uma questão de grau. Davenport nos ensina, ainda, que é importante que não confundamos dado com informação e com conhecimento, porquê não são sinônimos. As empresas precisam aprender a saber, exatamente, de qual deles precisa, com qual deles pode contar nas análises para tomadas de decisão e o que exatamente, se pode ou não fazer com cada um deles. O entendimento do significado de cada um destes elementos, suas interligações e os mecanismos e metodologias necessários às suas avaliações são condições sine qua non para a mobilização de um projeto bem sucedido de Gestão do Conhecimento.
A Gestão do Conhecimento é a arte de se administrar ativos intangíveis das empresas ou seja o Conhecimento ou capital intelectual. Neste sentido, podemos inferir, ou mesmo afirmar que, o Conhecimento é um ativo intangível de grande valor por estar dentro do quadro de tomada de decisões ou seja da ação, seja individual ou organizacional.
O Conhecimento, quando aplicado com eficiência leva ao desenvolvimento de novos produtos, estratégias competitivas, logística aplicada a novas áreas das empresas e serviços em geral, convergindo para uma competitividade mais eficaz. Obviamente que traçar os mecanismos de Gestões do Conhecimento à ação é o desafio dos administradores em relação aos mercados altamente competitivos, pois uma das maiores dificuldades da Gestão do Conhecimento é transformar o grande volume de dados e informação em conhecimento seletivo, que atenda aos objetivos para os quais ela existe. Ésquilo, há 25 séculos atrás definiu com toda sabedoria: Sábio não é aquele que conhece muitas coisas, mas o que conhece coisas úteis.
Nos últimos dez anos a Austrália, Europa e Estados Unidos vêm produzindo um grande volume de pesquisas e publicações a respeito de Gestão do Conhecimento, Inteligência Competitiva e Capital Intelectual. Grandes corporações como IBM, Oracle, HP, Dow, Skandia, etc. melhoraram efetivamente suas performances com a Gestão do Conhecimento, tendo tido um aumento considerável de competitividade perante os seus concorrentes.
Recentemente no Rio de Janeiro foi realizado um seminário denominado Semana do Conhecimento, promovido pelo CIET Centro Internacional para a Educação Trabalho e Transferências de Tecnologia do Senai e 1º Workshop Brasileiro de Inteligência Competitiva e Gestão do Conhecimento, do qual participamos.
Foram palestras e estudos de casos nacionais e principalmente internacionais mostrando o estado da arte nestes assuntos. Palestrantes do porte de Werna Alee (EUA), Leif Eclivinson (Suécia), Annie Broking (Inglaterra), David Smith (EUA), Lue Quonian (França) e Charles Goldfinger (Bélgica) atestam o grau de importância e qualidade do seminário, que proporcionou aos participantes brasileiros momentos importantes de reflexão sob esta nova estratégia competitiva das empresas.
A questão básica é que Gestão do Conhecimento não é algo totalmente novo. Ao contrário, as empresas e instituições ligadas ao desenvolvimento de novos produtos e/ou processos vêm lidando há muito tempo com Gestão do Conhecimento, O problema é a forma como isto se dá. Gestão do Conhecimento baseia-se em recursos existentes. Alguns exemplos são Sistemas de Informações, Gestão de Mudança Organizacional, Gestão de Recursos Humanos; a eficácia da Gestão do Conhecimento é atuar nestas e outras frentes buscando a melhor maneira de disponibilizar o conhecimento dentro das organizações de forma a utilizá-lo como ferramenta de competitividade.
Neste sentido a melhor maneira para identificar a real utilização ou existência de Gestão do Conhecimento pelas empresas de nossa região é através de pesquisa a respeito do assunto.
Assim, provavelmente, os resultados destas pesquisas servirão de base para estudarmos a melhor estratégia para a consolidação da Gestão do Conhecimento como ferramenta competitiva às empresas.
No que diz respeito às Instituições de Ensino e de Pesquisa que já estão estudando o assunto, nos parece fundamental o estabelecimento de metodologias que determinem como implementar a Gestão do Conhecimento nestas organizações, para que os estudos e pesquisas ali desenvolvidos gerem a sociedade, através do conhecimento, resultados que atendam as suas necessidades. Do ponto de vista acadêmico, servirá também como base para a implementação de disciplinas específicas no currículo do curso de Administração, disciplinas como Capital Intelectual, Inteligência Competitiva e Gestão do Conhecimento.
HAMIL ADUM FILHO é professor universitário em Londrina





