Gerente da Schincariol é libertado no Rio de Janeiro
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domingo, 26 de junho de 2005
Jacqueline Farid e<br> Kelly Lima<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - O gerente da Cervejaria Schincariol, Robson de Almeida Pinto, foi libertado na madrugada de ontem, no Rio de Janeiro, junto com outros dez acusados ligados a distribuidoras de bebidas e que foram presos na Operação Cevada, da Polícia Federal (PF). O alvará de soltura foi concedido pela juíza de plantão Maria Luíza Coutinho.
Os advogados dos presos aguardaram a libertação no Ponto Zero, em Benfica, zona norte da capital fluminense, e em frente ao Presídio Ari Franco, em Água Santa, subúrbio da cidade. A maior parte dos presos estava vinculada à Distribuidora Desbetil, de Itaboraí (RJ), e Dismar, do bairro da Penha, zona norte da capital.
O prazo de prisão temporária expirou sábado, quando também foram liberadas em São Paulo cerca de 20 pessoas ligadas à cervejaria, entre elas Gilberto Schincariol e os filhos Gilberto Júnior e José Augusto, além dos filhos do falecido Nelson Schincariol, Adriano e Alexandre.
Mas a liberdade poderá durar pouco. O procurador do Ministério Público Federal (MPF) José Maurício Gonçalves informou que, dentro de dez dias, devem ser formalizadas as denúncias contra os acusados de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e corrupção ativa. Ainda segundo o procurador, o Ministério Público juntou provas suficientes para apresentar a denúncia também por formação de quadrilha, mas ainda não pôde formalizá-las.
A ausência destas provas no inquérito permitiu que os acusados fossem liberados quando expirou o prazo da prisão temporária decretada no dia 15 e prorrogada por pelo menos mais uma vez. ''Para mantê-los presos, haveria a necessidade de provas e de um pedido de prisão preventiva. Somente com a apresentação das denúncias criminais contra estas pessoas é que haveria elemento para pedir a prisão preventiva'', explicou.
O advogado da empresa no Rio, Felipe Amodeo, disse ontem que acha difícil a formalização das novas denúncias antecipadas pelo procurador porque ''não há um processo administrativo iniciado e não se pode iniciar um inquérito sem uma operação de débito fiscal lançado''. Apesar das ressalvas, ele disse que não exclui a hipótese das denúncias porque ''estamos vendo mágicas todos os dias''.
O juiz da 1 Vara de Itaboraí, Vlamir da Costa Magalhães, responsável pela expedição dos mandados de prisão, disse que preferia não comentar a liberação dos acusados, alegando que essa seria uma atribuição da promotoria. Ao todo, 66 pessoas estavam presas em 12 Estados. Em investigações que levaram dois anos, foi constatado que a cervejaria deixou de recolher R$ 1 bilhão à Receita nos últimos cinco anos.


