Gerenciamento das Restrições
As empresas têm sofrido grandes provações em sua capacidade de resistência às adversidades do ambiente no qual estão inseridas. As alterações e oscilações do mercado são constantes e avassaladoras, eliminando as empresas menos preparadas. Entretanto, a lógica de gerenciamento da maioria das companhias mantém-se inalterada, ignorando sistematicamente as mudanças ambientais e tecnológicas. A Teoria das Restrições (TOC) propõe uma nova abordagem, capaz de promover resultados significativos, por meio de uma visão sistêmica e bem focada da empresa.
A primeira pergunta formulada pela TOC é: ``O que está impedindo a minha empresa de ganhar mais dinheiro?``. A resposta não é simples e tampouco imediata. Porém, é fundamental buscar respondê-la. Segundo a TOC, as empresas encontram restrições de natureza física ou política o que inclui problemas organizacionais e de gestão que as impedem de avançar positivamente. As restrições de natureza física podem ser internas como, por exemplo, uma máquina ou um setor que representem um gargalo, onde a capacidade de produção é inferior à demanda. Nesse caso, isso irá limitar o ganho da empresa. Pode haver, ainda, uma restrição de mercado, onde a demanda seja inferior à capacidade instalada.
Restrições políticas são as regras e medidas internas que inibem a melhoria do sistema, por não permitirem a correção das falhas da própria organização. As restrições políticas podem ser explicitadas por intermédio de uma ferramenta específica da TOC que procura responder a três indagações básicas: ``O que mudar? Para o que mudar? Como causar a mudança?``. O gerenciamento das restrições visa identificar o ponto no qual devemos agir para provocar um impacto em toda a empresa, focando melhor os nossos esforços. Como sua abordagem é sistêmica, ela está justamente preocupada com ações que melhorem o desempenho da empresa como um todo. Por isso, ela propõe o abandono da contabilidade tradicional, baseada no custo dos produtos, e a adoção de uma contabilidade que focalize a performance global da empresa. Nesse sentido, a contabilidade tradicional é uma restrição política. Segundo a TOC, os indicadores são definidos em função da meta estabelecida. E estes devem dimensionar o impacto de uma decisão local no desempenho global da empresa.
Partindo da premissa que diz que ``o ótimo global de um sistema não é igual à soma dos ótimos locais``, a TOC rejeita radicalmente o paradigma da eficiência como medida para gerenciamento do sistema produtivo, defendida pela contabilidade tradicional de custos. Por tudo isso, a Teoria das Restrições é considerada uma ferramenta gerencial de melhoria contínua e radical das empresas, capaz de focalizar e eliminar as principais causas do baixo desempenho. Assim, as ações passam a ser muito mais acertadas e tendem, realmente, a trazer maior retorno. Aqueles que desejarem conhecer melhor a TOC podem procurar o IBQP.
- André Gustavo Staben é engenheiro químico, mestrando em engenharia de produção e consultor do Núcleo de Assistência às Empresas do IBQP.
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