São Paulo A nova avaliação da Petrobras sobre as reservas de gás natural em Santos pode levar outra estatal, a Eletrobrás, a rever os seus investimentos em geração de energia termelétrica.
Segundo o presidente da estatal, Luiz Pinguelli Rosa, a desvalorização do real e a alta do petróleo fizeram com que a produção de energia em usinas movidas a gás natural ficasse inviável. Isso porque o gás utilizado atualmente é importado da Bolívia e pago em dólar.
''O gás da Bolívia era viável quando existia paridade entre o dólar e o real e o petróleo era baixo. A situação hoje é o contrário disso'', afirmou. ''Essa mudança tornou o gás da Bolívia caríssimo, e talvez com o gás de Santos a configuração dos projetos da Eletrobrás possa mudar.''
A descoberta de gás em Santos já era conhecida pela Petrobras desde abril, quando estimativas apontavam para uma reserva de cerca de 70 bilhões de metros cúbicos. Uma nova estimativa apontou para uma reserva gigantesca de 419 bilhões de metros cúbicos, o que praticamente triplica o volume de gás conhecido hoje no Brasil e é capaz de permitir a completa auto-suficiência brasileira em gás natural e mesmo dispensar o acordo fechado com a Bolívia.
Investimentos A Eletrobrás vai reduzir em 30% os seus recursos para investimentos este ano para ajudar o governo federal a cumprir a sua meta de superávit fiscal. Em 2003, o governo vai economizar 4,25% do PIB para pagar os juros da dívida.
Segundo Pinguelli, a empresa poderia investir este ano R$ 5 bilhões, mas terá de aplicar apenas R$ 3,5 bilhões em seus projetos. Afirmou, no entanto, que a estatal teria de investir pelo menos R$ 10 bilhões para suprir todas as necessidades do sistema elétrico nacional.
Pinguelli disse que essa defasagem reflete a necessidade do governo de buscar novas parcerias com o setor privado. ''Precisamos de R$ 10 bilhões para permitir a retomada do crescimento. Para isso, precisaremos fechar parcerias com o setor privado'', afirmou.

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