Curitiba - A produção industrial continua crescendo e a criação de postos de trabalho segue com indicadores positivos no Paraná, mas tudo em índices menos dignos de comemoração. A conclusão é dos técnicos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), que ontem divulgou o balanço da indústria paranaense em fevereiro.
No segundo mês do ano, foram geradas 1.889 novas vagas - destas, 435 na Região Metropolitana de Curitiba e 1.454 no interior do Estado. Isto representou uma diminuição de 55% em relação ao número de postos de trabalho criados no Paraná em fevereiro de 2004, quando foi registrado um saldo de 4.198 vagas. Em todo o Brasil, houve uma redução de 97,87% na diferença entre contratações e demissões.
No interior, o número de postos de trabalho criados diminuiu (1.454 em fevereiro de 2005 contra 4.196 no mesmo mês no ano passado), enquanto na RMC este índice aumentou (435 novos postos em fevereiro deste ano, contra apenas dois no mesmo mês em 2004). ''O Paraná sente a sazonalidade de alguns segmentos da agroindústria, como a produção de álcool, que sofreu com o atraso na colheita da cana provocado por problemas climáticos. Como resultado, houve um número significativo de demissões neste setor'', comentou Sandro Silva, economista do Dieese.
No acumulado do ano (janeiro e fevereiro), as montadoras (1.198 vagas) e as indústrias de material elétrico e de comunicação (794 vagas) foram os setores que mais geraram postos de trabalho. No quesito exportações, o Estado exportou 10,77% a mais do que nos dois primeiros meses de 2004, variação menor do que o aumento de 25,17% registrado em janeiro e fevereiro do ano passado na comparação com o mesmo período no ano anterior.
''Por anos seguidos houve grande crescimento das exportações paranaenses, por isso é natural que haja dificuldade para continuar mantendo esses patamares. O cenário econômico internacional não é mais tão favorável, as cotações no exterior de produtos exportados pelo Estado foram alteradas e ocorreu a valorização do real, o que reduz competitividade'', explicou Silva.
Já a produção industrial aumentou 2,03% em fevereiro em comparação com o desempenho obtido no mesmo mês em 2004. ''A tendência é de desaceleração da produção industrial do Paraná e do Brasil, como reflexo do aumento da taxa de juros promovido pelo Banco Central desde setembro do ano passado'', apontou Cid Cordeiro, também economista do Dieese.

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