Geração de vagas é questão crucial
O que também assusta a OIT é o fato de que, na América Latina, o aumento percentual do número de jovens desempregados foi o dobro da média mundial. Entre os países latino-americanos, o número absoluto de jovens sem emprego passou de 6,5 milhões em 1993 para 9,4 milhões em 2003, um aumento de 44,2%. Já o total mundial registrou um aumento de 23%. Isso significa que a região passou a ter 16,6% de sua população entre 15 anos e 24 anos sem trabalho, uma taxa acima da média mundial e 4 pontos porcentuais acima do que foi registrado na América Latina em 1993.
E o problema não deve parar por aí. Em 2015, 660 milhões de jovens estarão trabalhando ou buscando trabalho em todo o mundo, principalmente nos países pobres onde estão 85% dos jovens. Isso representa um aumento de 7,5% a mais na massa de trabalhadores jovens em comparação a 2003 e significará que nunca na história tantos jovens estarão em concorrência por um trabalho como nos próximos dez anos.
No continente latino-americano, uma massa adicional de 1,7 milhão de jovens vai estar buscando trabalho até 2015, principalmente no setor de serviços, onde estão entre 80% e 90% das novas oportunidade de emprego. O perigo, porém, é de que esses novos trabalhadores engrossem o número de pessoas atuando no setor informal, que nos últimos anos tem sido a alternativa para muitos. Segundo a Comissão Econômica da ONU para a América Latina, o trabalho setor informal da região cresceu de 43%, em 1990, para 48,4% em 1999.
Para a OIT, a questão crucial é saber como o mundo em desenvolvimento criará postos suficientes de trabalho para incorporar os novos empregados. Na avaliação da entidade, a resposta dependerá das taxas de crescimento econômico dos países. Mas os autores dos relatório alertam: não será qualquer crescimento que irá gerar novos empregos.
''Governos devem adotar política pró-empregos e ter a questão como o centro de suas políticas macroeconômicas'', afirmou Dorothea Schmidt, uma das autoras do estudo. Segundo ela, não basta apenas o governo falar na redução do déficit nas contas públicas sem pensar nos efeitos para os empregos. (J.C./AE)





