Geração de postos de trabalho nos bancos cai 83%
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sexta-feira, 20 de julho de 2012
Andréa Bertoldi <br>Equipe da Folha 
Curitiba - A geração de empregos nos bancos teve uma queda de 83,3% no Brasil no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Nos primeiros três meses do ano foram criados 1.144 postos de trabalho. Entre janeiro e março, os bancos demitiram 10.001 trabalhadores e contrataram 11.145. No mesmo período do ano passado, o saldo positivo de empregos nos bancos foi de 6.851 vagas.
Essa queda brusca de 83,3% é quase três vezes maior que a desaceleração do emprego na economia como um todo, que apresentou 27,5% de redução de crescimento de vagas de trabalho nos primeiros três meses do ano. Esses dados fazem parte da 13 edição da Pesquisa de Emprego Bancário realizada trimestralmente pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego. As informações foram divulgadas ontem durante a 14 Conferência Nacional dos Bancários que acontece em Curitiba desde ontem e termina amanhã.
Segundo o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, a rotatividade continua alta nas instituições financeiras e é utilizada para conter a expansão da massa salarial. O salário médio dos trabalhadores contratados foi 38,2% inferior ao dos desligados. O salário médio dos demitidos no primeiro trimestre foi de R$ 4.299,27 e dos admitidos de R$ 2.656,92. Na economia brasileira como um todo, a média salarial dos contratados é 7% inferior à média salarial dos demitidos. E as mulheres continuam ganhando 24% menos que os homens nas instituições financeiras na admissão e 29% nos casos de demissões.
Por outro lado, considerando apenas os cinco maiores bancos, o lucro líquido destas instituições chegou a R$ 50,7 bilhões em 2011 e foi de R$ 11,8 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2012.
''Estamos muito preocupados. São dados alarmantes'', disse Cordeiro. Segundo ele, as fusões no setor geraram concentração e são prejudiciais. ''Vamos pedir uma audiência com o Conselho Administrativo da Defesa Econômica (Cade) para discutir o assunto'', disse. Ele também destacou que os juros e tarifas cobrados pelos bancos ainda continuam muito altos para o consumidor.



