Geração de empregos no Paraná cai 28%
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sábado, 26 de janeiro de 2013
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - O Paraná teve uma queda de 28% no saldo de empregos com carteira assinada gerados no ano passado, na comparação com 2011. O levantamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mostrou que, em 2012, foram criadas 89.139 vagas, volume muito abaixo dos 123.916 empregos abertos em 2011.
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) Sandro Silva explicou que o resultado de 2012 foi reflexo da economia brasileira que teve baixo crescimento. As estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) do ano passado apontam para um crescimento inferior a 1%, o que afetou o mercado de trabalho. "Em 2012, houve geração de emprego em ritmo menor porque a economia praticamente não cresceu", justificou.
A queda registrada no Paraná foi menor do que na média nacional que teve redução de 33% na geração de empregos no ano passado. No País, foram gerados 1,301 milhão de vagas em 2012, contra 1,944 milhão em 2011. Silva acredita que a redução no Paraná foi menor do que no Brasil porque a economia paranaense é mais diversificada e abrange setores como as indústrias metalúrgica, de vestuário, alimentos e madeira.
Ele destacou que os setores de comércio e serviços também são fortes. No ano, os segmentos que mais contribuíram para a expansão das vagas foram serviços (36.608 postos), comércio (28.922) e indústria de transformação (14.017). Silva explicou que o setor de serviços ficou no topo do ranking na geração de empregos porque é um segmento que sofre menos com os fatores externos.
No ano, os setores que mais geraram empregos no Paraná foram o comércio varejista (23.840 vagas), outros serviços como segurança, vigilância e imobiliárias (14.019), hotéis e restaurantes (9.938), construção civil (3.940) e comércio atacadista (5.082). As maiores quedas ocorreram na indústria de material de transporte (-1.572 vagas), indústria de calçados (-317) e indústria de papel e papelão (-135).
Silva avaliou que os fatores que influenciaram positivamente a economia no ano foram a queda dos juros e a valorização do dólar frente ao real, o que ajuda a alavancar as exportações. No restante, as medidas adotadas pelo governo federal não foram suficientes para gerar um crescimento maior do Produto Interno Bruto brasileiro.
Em dezembro de 2012, houve uma queda de 1,65% no nível de emprego no Paraná, o que representou o fechamento de 43.271 postos de trabalho no Estado. Este foi o pior resultado para um mês de dezembro no Estado desde dezembro de 2008, quando foram fechadas 49.822 vagas. De acordo com informações do Caged, em dezembro, por razões sazonais como entressafra agrícola, férias escolares, período de chuvas e esgotamento da bolha de consumo no final do ano, acabam ocorrendo mais demissões.
Para este ano, as expectativas são mais otimistas para a geração de empregos caso as previsões de crescimento de 3,5% do PIB se confirmem. "Isso deve refletir no mercado de trabalho e levar a uma maior geração de empregos", comentou Silva.



