Curitiba - O Paraná registrou, em janeiro, um saldo positivo de 8.864 vagas no mercado de trabalho, sendo o melhor desempenho para o mês, nos últimos 15 anos. Na comparação a janeiro de 2006, que teve um saldo de 6.864 empregos, o crescimento foi de 29,14%. Em relação a dezembro do ano passado, a variação foi de 0,48%, ficando acima da média nacional (0,38%), com o oitavo melhor resultado do País. Mais de 76% das vagas (6.807) foram abertas no Interior do Estado, que teve aumento de 0,61%, em janeiro, comparando-se ao mês anterior.
Segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgada ontem, os principais responsáveis pela aceleração no nível de emprego, no início do ano, foram os setores de produtos alimentícios e bebidas, com 1.827 vagas, construção civil (1.745), hotéis e restaurantes (1.427) e o setor têxtil e de vestuário (1.020).
Os setores que mais demitiram, de acordo com o Dieese, foram o comércio varejista, que fechou janeiro com 1.057 vagas a menos - parte como reflexo do fim dos contratos temporários; agricultura e silvicultura (-562), ensino (-316) e transportes e comunicações (-292).
Para o economista do Dieese, Sandro Silva, a recuperação no nível de emprego, com maior peso no Interior, é resultado das contratações para o início da safra 2006/2007. ''Tanto que foi a indústria de alimentos que teve o maior saldo de vagas em janeiro'', complementou. Segundo ele, a tendência de maior geração de empregos no Interior deve se manter pelos próximos meses, com a abertura de postos nos setores agrícola e agroindustrial.
Sandro Silva disse que já era esperado começar o ano bem em termos de geração de emprego. Mas, ponderou que foi uma recuperação tardia, uma vez que se esperava uma reversão da desaceleração, registrada a partir do segundo semestre de 2005, já no início de 2006.
Ainda de acordo com o economista, a expectativa é que 2007 supere 2006 na geração de empregos. Isso, principalmente, por conta das projeções otimistas de safra e recuperação do preço dos produtos. O único fator negativo, ainda, é a desvalorização do dólar frente ao real, que tem prejudicado as exportações. ''Alguns setores conseguem diminuir a margem de lucro e reduzir custos de produção (para compensar a questão cambial), mas outros não'', explicou ele. O setor mais afetado tem sido o de madeira e mobiliário, que, nos últimos 12 meses, registrou queda de 2,04% no nível de emprego, fechando mais de 1,6 postos de trabalho.

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