Geração de emprego em ritmo lento
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quarta-feira, 07 de março de 2007
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
O desemprego é apontado pelos londrinenses como o principal problema da município. Como um fantasma, o tema não deixa de preocupar os cidadãos. Uma pesquisa realizada, no início do ano, pelo Inbrape Pesquisas e Ímpar Inteligência de Marketing revela que 76,2% das pessoas consideram o desemprego o principal problema de Londrina. Em 1999, quando o instituto fez a mesma pesquisa, a falta de emprego era o principal problema para 96,3% dos entrevistados. Nos dois levantamentos, o desemprego é considerado mais preocupante para os cidadãos do que a violência urbana, que aparece na segunda colocação nas duas edições (leia texto na página 3).
Os números mostram, de fato, que a preocupação dos londrinenses têm fundamento. A Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego revela que a geração de empregos na cidade ocorre, mas de forma mais tímida do que em Maringá (Região Noroeste) e no próprio Estado. Entre 99 e 2005 (último ano disponível da pesquisa), a criação de novos postos de trabalho cresceu 4,67% por ano; contra 5,79% em Maringá e 4,93% no Paraná. O índice londrinense só foi superior ao percentual obtido em Curitiba, que é de 3,04% ao ano. Os números mostram que há dois anos Londrina e Maringá respondiam por 6% e 5%, respectivamente, do total de empregos do Estado. O índice era o mesmo em 99. No entanto, a capital perdeu espaço neste quadro. Em 2005, o percentual era de 31% contra 34% obtido em 99.
Além disso, a taxa de ocupação (relação entre a população ocupada e a população em idade ativa) mostra um outro problema. Em 2005, 48% dos londrinenses estavam no mercado formal. Em Maringá, esse índice era de 59%; em Curitiba, 70%. Neste quesito Londrina supera apenas a média do Estado, que é de 42%. ''Isso mostra que em Curitiba e Maringá a geração de empregos é mais dinâmica porque a maioria das pessoas está no mercado formal de trabalho. A taxa de ocupação em Londrina é baixa e mostra que muitas pessoas estão no mercado informal'', afirma Fátima Campos, doutora em Economia e professora da Universidade Estadual de Londrina.
Segundo o diretor presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Mauro Viecili, no ano passado a taxa de ocupação no município estava na casa dos 50%. Ele acrescenta ainda que somente cerca de 16 mil trabalhadores estavam desempregados. ''E ainda temos os profissionais liberais, que são cerca de 30 mil; empregados domésticos e os trabalhores do mercado informal, que não é possível quantificar'', acrescenta Viecili. Para o diretor do Idel o ''panorama do emprego'' não é tão negro quanto parece porque o município absorve mão-de-obra vinda de outros municípios da região e de outros Estados.
''Londrina é uma cidade universitária e muitas das pessoas que vêm estudar aqui acabam ficando e, por isso, temos que gerar muito mais emprego para absorver toda essa mão-de-obra. Este fator causa uma média desfavorável porque a criação de empregos tem que ser maior do que nos outros municípios'', explica Viecili. Além disso, ele acrescenta que muitos trabalhadores que moram na região têm empregos em Londrina. ''Neste caso, é uma mão-de-obra específica. Por exemplo, trabalhadores de Mandaguari e Arapongas trabalham na indústria moveleira; o pessoal de Assaí nas tornearias; para as confecções vêm pessoas de Bela Vista do Paraíso e Ibiporã. Mas a nossa preocupação não está nisso porque se esta demanda não for absorvida aqui, vai gerar violência que também acaba refletida em Londrina'', comenta.
Na avaliação de Viecili, este mesmo processo não ocorreria tão fortemente em Maringá e Curitiba porque os municípios vizinhos têm maior concentração de indústrias como São José dos Pinhais e Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba; e até mesmo Sarandi, vizinha à Maringá. ''A nossa política de agroindústria não é tão forte aqui quanto em Maringá, onde está instalada a Cocamar, que gera muitos empregos. Mas estamos firmando uma parceria com a Sociedade Rural do Paraná para fortalecer a exportação de carnes, com cortes especiais, que vai demandar muita mão-de-obra. Estamos readequando nossos serviços para agregar valor aos nossos produtos'', observa.


