Genérico é saída para alta dos remédios
Carmem Murara
De Curitiba
Se não bastasse o au mento das tarifas de energia, telefone, água e combustível, o consumidor está tendo que enfrentar os aumentos sucessivos do preço dos remédios. Por determinação do governo federal, que firmou acordo com a Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma) na semana passada, os medicamentos ficaram 3% mais caros, pesando no bolso da população. Para tentar driblar o aumento, farmacêuticos e médicos têm a opção de receitar aos pacientes os produtos genéricos no lugar dos comerciais. Isso pode representar uma economia de mais de 50%.
Os genéricos são os remédios que trazem a denominação da composição química e não o nome comercial do produto, dado pelos laboratórios. Em muitos casos, custam a metade do preço de um medicamento comercial, apesar de possuir as mesmas propriedades.
O Tegretol, um remédio para controlar a convulsão, tem um preço médio de R$ 14,60, enquanto o genérico Carbamazepina, um produto equivalente, custa R$ 9,90. A diferença é mais gritante com o remédio para hipertensão Capolen. Custa R$ 25,40, enquanto o genérico Captopril custa R$ 8,17 - três vezes mais barato.
Os genéricos são a mesma coisa do que os remédios comerciais. Nada muda, garante a farmacêutica Maria de Lourdes Soares. Ela é responsável por uma das farmácias do centro de Curitiba que expõem nas prateleiras os genéricos como opção. Para Maria de Lourdes, o governo deveria estimular mais o uso dos genéricos e os médicos deveriam prescrever mais este tipo de medicamento.
Desde o começo do ano, o aumento acumulado no preço dos medicamentos é de 15%. Mas em alguns produtos a alta atinge 30%. A variação é explicada pela quantidade de matéria-prima importada utilizada pelos laboratórios. O reajuste médio é feito com base nos cem remédios mais vendidos, que representam 42% do mercado brasileiro.
A superintendente técnica da Rede Drogamed, Sandra Mara Kunioshi, diz que não há como fugir do aumento imposto pelos laboratórios. A gente não tem o que fazer. A indústria determina o aumento e temos que aplicar, afirma. O aposentado Georges Maroun já sabe que o aumento dos medicamentos vai obrigá-lo a substituir alguns hábitos. Vou ter que deixar de tomar meu sorvete para comprar as vitaminas, brinca. Ele costuma tomar um complexo vitamínico que custa R$ 31,37 por mês.Sem nome comercial, produto chega a custar 50% menos. Só este ano, medicamentos acumulam aumento médio de 15%
Kraw PenasMedida de economiaO aposentado Georges Maroun compra, em farmácia de Curitiba, as vitaminas que usa regularmente. Mas, com aumentos mensais dos preços, diz que já pensa em suspender o produto





