Curitiba Nem mesmo a fama do clima frio afastou Curitiba da febre das sorveterias finas, que aumentam a cada dia pelo País. Até o nome ganhou ares de sofisticação. Sorveteria virou ''gelateria'', numa alusão à adoção da tecnologia italiana. Mas não é só o nome que é importado. As gelaterias, invariavelmente, trabalham com matéria-prima vinda da Itália. Com isso, o sorvete ganha qualidade, sabor e, também, um preço não muito doce, chegando a custar até 150% acima do valor de mercado.
Sorveterias populares e de qualidade reconhecida há mais de 20 anos pelos curitibanos, a Formiga e Gaúcho vendem a bola do sorvete a R$ 1,00. Nas gelaterias, a diferença começa pelo atendimento. O sorvete não vem mais em bola, ele é espatulado. ''A receita italiana resulta em uma massa mais cremosa e, por isso, é servido com a ajuda de uma espátula'', explica Antonio Benedet Macarini que há dez meses, em sociedade com o chefe de cozinha Fabiano Marcolini, abriu uma das sorveterias mais badaladas da cidade no momento, a Freddo Gelateria, situada no Batel, bairro nobre da cidade.
Nas gelaterias, a menor porção, com média de 120 gramas, servida em copo ou casquinha, custa entre R$ 3,00 (Gelateria Dolce Freddo, no Bairro Tarumã), R$ 3,50 (Gelateria Parmalat) a R$ 4,00 (Gelateria Parmalat e Gelateria Freddo, no Batel). Mas as empresas garantem que o alto custo não asusta a clientela que, ''acha caro no início, gosta de produto e acaba virando freguês''.
Apesar do gosto irresistível, o sorvete ainda não conquistou o paladar dos brasileiros no inverno, ao contrário do que ocorre em alguns países da Europa, onde o consumo dos gelatos não caem, mesmo com as baixas temperaturas. ''No inverno, o movimento chega a cair até 60%. Nossa sorte é estarmos num shopping, ainda dá para trabalhar no azul no inverno. O pior são as lojas de calçada'', diz Ricardo Alexandre Cotovicz, da Sorvetes D'Vicz, instalada há cinco anos no Polo Shop Estação e pioneira no sistema de gelateria italiana em Curitiba.
Com a experiência de cinco invernos, Cotovicz acredita que, no frio, uma saída contra a queda do movimento é inovar. E é o que todos fazem. Quando o frio está chegando, as lojas já começam a pesquisar novas receitas, como os ''semi-freddos'' (semi-frios), espécies de mousse e tortas, além de incrementar as caldas quentes. Muitas partem também para o atrativo mercado dos cafés.
É o caso da Gelateria Parmalat pertencente à indústria de lacticínios de mesmo nome , que inaugurou sua loja no Shopping Mueller, em setembro do ano passado, já com um setor destinado aos cafés.
Mas o que os donos de gelateria querem mesmo é mudar a cultura do brasileiro e fazer com que ele adquira o hábito de consumir sorvetes no frio. ''Antigamente não se consumia sorvete no frio porque era fabricado à base de gelo, mas hoje, não. O sorvete é cremoso, com textura adequada para o frio também'', diz Macarini. ''O brasileiro não toma cerveja e come chocolate, independente da época?'', pergunta.

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