A Câmara de Gestão de Comércio Exterior (Gecex), com superpoderes para ''destravar'' as exportações, deverá começar a funcionar até o final deste mês. A informação é do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral. Anunciada há três semanas, a Gecex ainda não existe oficialmente, pois são necessárias uma Medida Provisória (MP) e um decreto para que ela possa baixar atos. O decreto define as atribuições da Gecex o que, em outras palavras, significa traduzir como serão exercidos, na prática, os superpoderes dados ao ministro Sérgio Amaral pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. O que fica subentendido, quando se diz que a Gecex terá o mesmo nível de poder da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE), é que as decisões ocorridas na Gecex poderão ''atropelar'' ministérios e órgãos federais. Os antecedentes não são muito animadores.
O governo levou um ano para oficializar a Câmara de Comércio Exterior (Camex), uma versão menos poderosa da Gecex. O ministro, porém, evita entrar em detalhes. ''O decreto está sendo feito pela Casa Civil (da Presidência da República)'', disse. Ele disse desconhecer qualquer reclamação de outros ministros que poderiam se sentir prejudicados com a regulamentação da Gecex.
Mesmo sem a Gecex, o ministro não se sente de mãos amarradas para tocar medidas de incentivo às exportações. Em um mês e meio de gestão, ele já contabiliza 11 medidas adotadas, desde o aumento da cobertura do seguro de crédito para produtos exportados até a iniciativa de criar um fórum de competitividade para o setor de turismo.
Uma das medidas citadas pelo ministro é a utilização de recursos dos fundos tecnológicos geridos pelo Ministério de Ciências e Tecnologia para melhorar a qualidade de produtos brasileiros e agregar valor à exportação. Já está em andamento, por exemplo, um programa para que o Brasil, em vez de exportar café em grãos, passe a exportar café industrializado e café solúvel. ''Estamos num momento de decisão, para caminhar em marcha acelerada para valorizar o café brasileiro'', disse Amaral.
Ele disse, numa reunião na Câmara dos Deputados nesta semana, que o café colombiano vale 20% a mais do que o brasileiro não por causa da qualidade, mas graças a investimentos em marketing. Na sua avaliação, o setor privado brasileiro poderia investir num programa de divulgação do café brasileiro. Amaral chegou a sugerir que as empresas instituam a cobrança de uma contribuição sobre a exportação do café, que financiaria a ofensiva no mercado mundial.
Outra iniciativa que entusiasma o ministro é a inclusão do turismo entre as prioridades para exportação. Em sua experiência como embaixador brasileiro na Inglaterra, Amaral instalou o ''primeiro e único'' escritório de turismo do Brasil no exterior e criou um website em inglês com informações turísticas brasileiras. Alguns dos tradicionais táxis pretos de Londres passaram a circular coloridos nas cores da bandeira brasileira e vôos charter passaram a transportar ingleses para as praias do Nordeste. Na sua avaliação, já houve investimentos significativos em infra-estrutura turística e agora falta enfrentar dois problemas básicos: burocracia (dificuldade em obter vistos, por exemplo) e campanhas de publicidade constantes.

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