Geadas paralisam o mercado do milho
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quinta-feira, 17 de junho de 2004
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
O mercado do milho encerra a semana com pouco movimento no Paraná. A espera da quantificação das perdas causadas pelas geadas do último final de semana, vendedores reduziram a oferta do produto. A expectativa é que, após a confirmação dos prejuízos sofridos pelos agricultores, haja elevação dos preços. As afirmações são de Steve Cachia, analista de mercado da corretora Cerealpar, de Curitiba.
''Ainda não temos notícias confirmadas sobre os estragos'', disse ele. No mercado de lotes, o preço, ontem, variava entre R$ 19,00 e R$ 20 a saca, com valorização de R$ 1 sobre os valores praticados no início do mês. Em meados de abril, quando a estiagem atrapalhava o plantio da safrinha, o preço chegou a R$ 22,50.
O Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura vai divulgar no próximo dia 23 os prejuízos causados pela geada. Levantamentos preliminares indicam que as perdas, no Estado, podem ter sido de 8% da área cultivada. ''mas ainda não dá para afirmar'', esclareceu a agrônoma Vera da Rocha Zardo, do Deral.
Produtores paranaenses cultivaram 1.13 milhão hectares nesta safrinha. Descontadas as perdas por seca no Sudoeste e por granizo no Oeste, a área reduziu para 1.11 milhão de ha. A produção esperada, antes da geada, era de 3.915.591 toneladas. A maior perda, segundo o Deral, deve ser registrada nos municípios próximos a Cascavel, Toledo e na região Sudoeste.
Em Cascavel, o produtor Eduardo Oliveira Coelho lamenta a perda de quase toda a lavoura. Ele cultivou 41 ha de milho e, por causa da geada, deve colher apenas sete ha. ''Primeiro, o plantio atrasou por causa da seca. Agora, a geada acabou com as plantas'', comentou. Segundo ele, a maioria dos produtores vizinhos à sua propriedade contabilizam prejuízos. ''Só quem conseguiu plantar antes se salvou.''
Na região de Paiquerê, em Londrina, o produtor Adão de Pauli também lamenta o prejuízo. Com 30 hectares plantados, ele perdeu 60% da lavoura. ''A geada veio antecipada, esperávamos para julho'', disse. O produtor acrescentou que os prejuízos reais só poderão ser contabilizados na colheita, pois, mesmo sem danos aparentes, a geada interfere na produtividade.


