LONDRES - Qualquer ocorrência de geada nos próximos cinco meses no Brasil pode causar ‘‘caos’’ no mercado mundial de café. A avaliação é da corretora londrina GNI. Segundo a empresa, ‘‘o mercado estará extremamente sensível a qualquer geada’’.
O preço do café robusta quadruplicou, chegando a US$ 4.140 por tonelada em 1994 depois da geada que atingiu as plantações brasileiras. O grosso da produção brasileira se concentra no café tipo arábica, mais valorizado no mercado.
Na época, a escassez da variedade puxou para cima os preços do café tipo robusta. No início do ano, o valor da tonelada no mercado de Londres, que trabalha com o café robusta, era de US$ 1.203. Com a expectativa do início da temporada de geadas no Brasil nas próximas semanas e a ação de especuladores, o produto foi negociado ontem a US$ 1.885 no mercado futuro. Desde o início do ano, o café arábica dobrou de preço no mercado futuro de Nova York.
O diretor executivo da Organização Mundial do Café (OMC), Celsius Lodder, disse ontem que a determinação do preço do produto depende dos fazendeiros, já que os estoques das empresas que processam o produto estão baixos.
Segundo ele, o problema deve ser agravado pela expectativa de queda de 20% na produção brasileira. A produção da Colômbia, segundo produtor mundial, depois do Brasil, também deve ser afetada pelo excesso de chuvas. O país já está tendo dificuldades no cumprimento de contratos de exportação.
Lodder acredita que a tendência futura é de alta nos preços, ou pelo menos de manutenção dos níveis atuais. O diretor da OMC alertou que aumentos no varejo superiores a 40% podem causar uma queda no consumo.

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