Geadas causam perdas na agricultura
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segunda-feira, 02 de setembro de 2002
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As geadas tardias, ocorridas ontem em quase todo o Estado, prejudicaram as lavouras de trigo, milho, cevada e feijão. Na Região Metropolitana de Curitiba (RMC) os produtores de hortifrutigranjeiros foram surpreendidos com a queda de temperatura.
Este é o segundo ano consecutivo que geadas de forte intensidade prejudicam a agricultura do Paraná. No ano passado, o fenômeno ocorrido no dia 16 de setembro provocou fortes prejuízos aos produtores de trigo. A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento colocou seus técnicos em campo para levantamento dos prejuízos.
As regiões mais afetadas pelas baixas temperaturas foram o Sul, o Sudoeste, Oeste, Centro-Oeste e parte do Noroeste. Em Guarapuava, a temperatura mínima registrada foi negativa em 2,9ºC. No Norte, ocorreram geadas fracas nas baixadas, exceto Ivaiporã onde o frio foi mais forte.
Segundo o Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Deral), cerca de 70% do trigo cultivado no Estado ainda está em fases suscetíveis a perdas. Os técnicos acreditam que certamente haverá quebra de produção nas regiões de Ponta Grossa, Guarapuava, Irati, Francisco Beltrão e Pato Branco, onde as geadas foram mais fortes. Essas regiões são responsáveis por 28% da área de trigo cultivada no Paraná.
No Oeste e Centro-Oeste, que respondem por 30% do trigo cultivado no Estado, 85% das lavouras encontram-se na fase crítica e as perdas serão inevitáveis, admite a engenheira agrônoma do Deral, Vera da Rocha Zardo. No Norte do Estado a região mais afetada está localizada em Ivaiporã, onde 75% das lavouras de trigo encontram-se nas fases de floração e frutificação.
A produção de trigo no Paraná estava estimada em 2,17 milhões de toneladas e já embutia uma quebra de 12% na produção devido à estiagem no Norte. Agora, a produção será reavaliada nas próximas semanas.
A cevada foi outra cultura bastante afetada, porque o plantio concentra-se no Sul, onde a geada foi mais intensa. Cerca de 50% das lavouras encontram-se nas fases suscetíveis e as quebras deverão ser significativas, acredita a agrônoma do Deral. A produção estava estimada em 141 mil toneladas.
Pelo menos 70 mil hectares de feijão foi afetado. Essa cultura também é bastante sensível a queda de temperaturas.


