Geadas atingiram trigo e hortaliças
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segunda-feira, 14 de julho de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba As geadas que ocorreram no Paraná durante o final de semana atingiram, parcialmente, o trigo plantado no Oeste e as hortaliças plantadas na Região Metropolitana de Curitiba. Cooperativas do Oeste avaliam que o trigo terá perdas, embora não se saiba ainda o tamanho dos danos provocados.
Na Região Metropolitana de Curitiba, os produtos mais prejudicados foram a alface plantada em locais sem a proteção da plasticultura e culturas de inverno como couve-flor, brócolis e beterraba, que estavam recém-transplantadas. Ontem, a Central Atacadista de Curitiba (Ceasa) registrou um aumento médio de quase 6% na comercialização das hortaliças, em comparação com a semana passada. A alface já subiu 16% e a couve-flor subiu 133%. Técnicos da Ceasa acreditam que os preços das hortaliças vão oscilar bastante ao longo da semana.
Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, foi na região de Toledo que a geada atingiu o trigo com mais intensidade. Nessa localidade, estão plantados 100 mil hectares, que correspondem a cerca de 9% da produção estadual. De acordo com o Deral, 70% da área de trigo e 40% do milho safrinha plantado na região estavam em fase suscetível a geadas. ''Mas ainda é preciso alguns dias para os técnicos fazerem a avaliação dos danos'', disse a engenheira agrônoma Vera da Rocha Zardo.
Para o assessor técnico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flavio Turra, o município de Marechal Cândido Rondon, também no Oeste, foi um dos que mais sofreu com a queda de temperaturas. Conforme informações que recebeu de cooperativas da região, Turra disse que 30% do milho safrinha e 50% do trigo foram afetados pelas geadas.
Nas demais regiões, como o Norte, Noroeste e mesmo parte do Oeste onde o plantio de café, milho safrinha e trigo são bastante expressivos, as lavouras não foram atingidas. Segundo Turra, em algumas regiões, onde as geadas foram mais severas, elas ocorreram após um período seco e isso minimizou os efeitos da queda de temperatura sobre as plantas.
Na Grande Curitiba, o coordenador de olericultua da Emater, Iniberto Hamershimidt, disse que a cultura mais prejudicada foi a de alface. Nessa época do ano, os produtores costumam colher 1,5 mil toneladas por mês para abastecer o mercado. Desse total, 70% das lavouras estão protegidas. Ele admite que nos 30% restantes pode ter havido perda total em muitas lavouras. Nas outras culturas que estavam recém-transplantadas, ele acredita que pode ocorrer alta de preço até os produtores replantarem novamente e restabelecer a produção normal.
Em relação às hortaliças de frutos como tomate, abobrinha, beringela, pimentão e vagem, Hamershimidt disse que não há motivos para aumento de preços, porque esses produtos vêm do Norte do Paraná, que não foi afetado pelas geadas, e também de outros estados de clima mais quente.


