Geadas atingem milho safrinha, hortaliças e pastos
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segunda-feira, 14 de junho de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - As geadas ocorridas nos últimos dois dias foram as mais intensas do ano e dessa vez atingiram lavouras plantadas nesta época como milho safrinha, hortaliças e pastagens. O levantamento dos prejuízos deve ser apresentado nos próximos dias, mas na região oeste do Estado produtores já falam em perdas de 10% a 15% no milho safrinha. As temperaturas caíram a 1,1ºC na Região Metropolitana de Curitiba e -3,9ºC em Guarapuava.
Um levantamento feito pelas cooperativas do Estado mostra que o trigo, principal lavoura de inverno, escapou ileso dessa vez. Os produtores prejudicados pela seca ocorrida nos meses de março e abril, prorrogaram o plantio de trigo. Com isso, a queda de temperatura nessa fase foi até boa para a cultura. De acordo com o engenheiro agrônomo Luciano Gonçalves, da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) 99% das lavouras de trigo não foram atingidas pelas baixas temperaturas.
Conforme levantamento preliminar feito pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, as geadas foram mais intensas da região centro-sul em direção ao sul do Estado. Nas regiões norte e oeste, as geadas foram de fraca intensidade e atingiram as lavouras das baixadas.
De acordo com Otmar Hubner, do Departamento de Economia Rural (Deral), não houve prejuízos aos cafeicultores, que puderam proteger suas lavouras com o serviço ''Alerta Geadas'' do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Mas o que estragou feio foram as pastagens. O médico veterinário Fabio Peixoto Mezzadri, do Deral, acredita que haverá problemas no fornecimento de leite, principalmente das propriedads da região sul do Estado.
De acordo com Mezzadri, a maioria dos produtores dessa região não é tecnificada e não tem capital para investimentos em pastagens de inverno e também em silagem para dar aos animais. Já na região dos Campos Gerais e na região oeste, onde os produtores são mais tecnificados, não deverá haver problemas porque há investimentos em alimentação de inverno para o rebanho.
A produção de hortaliças foi mais afetada na Região Metropolitana de Curitiba. Cerca de 10% a 20% da produção de alface da região, que não estava protegida, foi perdida, disse o engenheiro agrônomo Iniberto Hamerschimidt, coordenador de Horticultura da Emater do Paraná. Ele calcula que cerca de 300 toneladas de alface foram perdidas. Em relação aos demais produtos, Hamerschimidt disse que eles já estão chegando caros de seus locais de origem como o litoral, região norte do Estado ou de outros Estados. Citou como exemplo o preço do tomate que está acima de R$ 2 o quilo.
O impacto na Central Atacadista do Paraná (Ceasa) foi imediato. A caixa de tomate que custava R$ 32 na última sexta-feira, ontem estava custando R$ 40. O pimentão passou de R$ 20 para R$ 25 a caixa. E a abobrinha passou de R$ 30 para R$ 35 a caixa.


