Geadas ainda assustam horticultores
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sábado, 29 de julho de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
Com a ameaça de geadas até o mês de agosto, os produtores de hortaliças e legumes da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) não pretendem fazer novos plantios. Para a maioria deles, o prejuízo com as geadas já ocorridas foi muito grande e o consenso é que não dá para arriscar mais. Como consequência, dentro de 20 a 30 dias não terão mais produtos para entregar na Ceasa, o que vai elevar a dependência da Central Atacadista por produtos de outros Estados.
Os produtores se queixam das geadas sucessivas, situação que já não enfrentavam há anos. A produção de hortigranjeiros nos municípios da Região Metropolitana deve cair drasticamente nos próximos dias, acredita o engenheiro agrônomo da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Maurício Tadeu Lunardon.
A entrada da produção local na Ceasa caiu em torno de 50%. Antes da geada a Central era abastecida diariamente com cerca de 2.200 toneladas de produtos. Nos últimos dias não estão entrando mais que 1.200 toneladas, e a variedade está restrita à produção de cenoura, cebola, laranja e repolho. Com isso, a Ceasa está praticamente vazia. Produtos como pepino, pimentão, tomate e algumas folhosas estão vindo do Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Na Associação de Produtores de Colombo, onde cerca de 30 produtores fornecem hortaliças e legumes diariamente para grandes supermercados de Curitiba, a oferta de produtos caiu drasticamente. Os produtores lotavam uma carreta com produtos variados, todo dia. Atualmente não estão conseguindo carregar nem um quarto do veículo, disse a funcionária Rochelane Bentorim. Além da produção escassa, muitos produtos, como couve-flor e couve-manteiga, não estão mais à venda.
O produtor de Colombo, Aloisio Fiorese teve que atender às pressas à demanda do Supermercado BIG. Como não está plantando mais por esses dias e a produção na sua propriedade acabou, Fiorese está intermediando a venda de acelga e repolho, pedida em São Paulo.
Em São José dos Pinhais, outro município da RMC que produz hortaliças e legumes, a maioria dos produtores também está aguardando o fim das geadas para voltar a plantar. Eles estão com medo de perder as mudas após o transplante. O produtor Onofre Scolaro disse que não vai plantar enquanto a ameaça de geadas não se afastar definitivamente da região. Ele perdeu toda a produção de repolho, acelga, couve-flor, couve-manteiga, beterraba, alface e brócolis cultivada na propriedade de 10 alqueires.
Se der outra geada e perder as mudas, aí estou quebrado de vez, comentou Scolaro. O produtor disse que enquanto não tem produto para ofertar vai se virar com a venda de leite. O problema é que os pastos também queimaram. Scolaro disse que nunca viveu uma situação tão grave como está passando agora. Antes tinha geada, mas em seguida o tempo melhorava. Agora é todo dia geada, lamenta.
Já o produtor Paulo Grochoski, de São José dos Pinhais, disse que vai arriscar e plantar novamente. Se conseguir vender a produção ainda com o mercado em alta, acredita que vai recuperar parte dos prejuízos. Ele avalia que perdeu em torno de R$ 100 mil com a destruição de mais de 70 mil pés de alface e 50 mil pés de chicória, além de brócolis, rabanete, beterraba, couve-flor e repolho. O cálculo do produtor foi feito com base nos preços vigentes do mercado, depois da alta provocada pelas geadas.


