Com a ameaça de geadas até o mês de agosto, os produtores de hortaliças e legumes da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) não pretendem fazer novos plantios. Para a maioria deles, o prejuízo com as geadas já ocorridas foi muito grande e o consenso é que não dá para arriscar mais. Como consequência, dentro de 20 a 30 dias não terão mais produtos para entregar na Ceasa, o que vai elevar a dependência da Central Atacadista por produtos de outros Estados.
Os produtores se queixam das geadas sucessivas, situação que já não enfrentavam há anos. ‘‘A produção de hortigranjeiros nos municípios da Região Metropolitana deve cair drasticamente nos próximos dias’’, acredita o engenheiro agrônomo da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Maurício Tadeu Lunardon.
A entrada da produção local na Ceasa caiu em torno de 50%. Antes da geada a Central era abastecida diariamente com cerca de 2.200 toneladas de produtos. Nos últimos dias não estão entrando mais que 1.200 toneladas, e a variedade está restrita à produção de cenoura, cebola, laranja e repolho. Com isso, a Ceasa está praticamente vazia. Produtos como pepino, pimentão, tomate e algumas folhosas estão vindo do Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Na Associação de Produtores de Colombo, onde cerca de 30 produtores fornecem hortaliças e legumes diariamente para grandes supermercados de Curitiba, a oferta de produtos caiu drasticamente. Os produtores lotavam uma carreta com produtos variados, todo dia. ‘‘Atualmente não estão conseguindo carregar nem um quarto do veículo’’, disse a funcionária Rochelane Bentorim. Além da produção escassa, muitos produtos, como couve-flor e couve-manteiga, não estão mais à venda.
O produtor de Colombo, Aloisio Fiorese teve que atender às pressas à demanda do Supermercado BIG. Como não está plantando mais por esses dias e a produção na sua propriedade acabou, Fiorese está intermediando a venda de acelga e repolho, pedida em São Paulo.
Em São José dos Pinhais, outro município da RMC que produz hortaliças e legumes, a maioria dos produtores também está aguardando o fim das geadas para voltar a plantar. Eles estão com medo de perder as mudas após o transplante. O produtor Onofre Scolaro disse que não vai plantar enquanto a ameaça de geadas não se afastar definitivamente da região. Ele perdeu toda a produção de repolho, acelga, couve-flor, couve-manteiga, beterraba, alface e brócolis cultivada na propriedade de 10 alqueires.
‘‘ Se der outra geada e perder as mudas, aí estou quebrado de vez’’, comentou Scolaro. O produtor disse que enquanto não tem produto para ofertar vai se virar com a venda de leite. ‘‘O problema é que os pastos também queimaram.’’ Scolaro disse que nunca viveu uma situação tão grave como está passando agora. ‘‘Antes tinha geada, mas em seguida o tempo melhorava. Agora é todo dia geada’’, lamenta.
Já o produtor Paulo Grochoski, de São José dos Pinhais, disse que vai arriscar e plantar novamente. Se conseguir vender a produção ainda com o mercado em alta, acredita que vai recuperar parte dos prejuízos. Ele avalia que perdeu em torno de R$ 100 mil com a destruição de mais de 70 mil pés de alface e 50 mil pés de chicória, além de brócolis, rabanete, beterraba, couve-flor e repolho. O cálculo do produtor foi feito com base nos preços vigentes do mercado, depois da alta provocada pelas geadas.

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