Geada tira R$ 300 mi de circulação no PR
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sábado, 29 de julho de 2000
Cláudia Lopes De Londrina 
Cerca de R$ 300 milhões deixarão de ser injetados na economia paranaense no próximo ano por causa das geadas que atingiram o Estado este mês. A estimativa é do engenheiro agrônomo do Departamento do Café (Decaf) do Ministério da Agricultura em Londrina, Francisco Barbosa Lima, que prevê a perda de 80% da safra de café em 2001.
A próxima safra, que inicialmente estava prevista em 2,7 milhões de sacas, deve ser de 2,2 milhões de sacas. Também haverá prejuízos na safra deste ano: a receita deverá cair entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões, ele projeta. Somente 40% da colheita de café foi feita até agora. Os grãos que ainda estão nos pés perderam qualidade e rendimento.
Embora o café não tenha para a economia do Estado a mesma representatividade que em 1975, quando a geada negra devastou as plantações em todo o Paraná, o produto ainda é importante principalmente para municípios das regiões Norte, Norte Pioneiro, Noroeste e Vale do Ivaí, observa o técnico.
Atualmente o café é plantado em pequenas propriedades, pulverizando a riqueza nos municípios. Os pequenos proprietários gastam o resultado das colheitas de café em suas cidades. Por isso o prejuízo será grande em todos os setores. A perda com o café afeta o comércio em geral.
Como cerca de um terço das plantas terá que ser cortada por ter tido o tronco atinjido pelas geadas, o Paraná só deverá voltar à plena carga em 2003 pelas estimativas do Decaf. No próximo ano, devemos produzir 60% da capacidade, calculou Lima.
Em 1975, o Paraná produziu 11,700 milhões de sacas de café, numa área de 1.050 milhão de hectares. As geadas negra (de vento) e branca (de acumulação) reduziram a produção do ano seguinte a zero, acarretando uma quebradeira geral no Estado. Depois de vários anos de produção pequena, a safra só voltou a ser significativa em 1981, quando foram colhidos 8,2 milhões de sacas de café. Desta vez, a recuperação será mais rápida porque as geadas foram menos intensas do que em 75.
Um dos maiores problemas no próximo ano será o desemprego. Pelo menos 80 mil bóias-frias não conseguirão trabalho nas colheitas de café no Paraná, de maio a setembro, segundo Lima. Será uma dificuldade grande para os pequenos municípios, disse. É a época em que os trabalhadores rurais ganham mais. Se o bóia-fria ganha uma diária de R$ 7, na colheita consegue receber R$ 14. Além do comércio deixar de vender, o Estado perde na arrecadação de ICMS, observa.


