Geada pára o mercado de feijão no PR
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de abril de 1999
Vânia Casado 
O impacto das geadas dos últimos dias na região Sul do país, na comercialização de feijão foi imediato. A comercialização de feijão preto, produto mais afetado, está parada desde segunda-feira. Os produtores estão retendo a mercadoria que ainda mantém em estoque e não realizaram nenhuma venda nos últimos dois dias, informa o corretor Marcelo Luders, da Correpar.
O reflexo dessa medida será sentido após o feriado. Ontem, o feijão preto estava cotado entre R$ 27,00 e R$ 28,00 a saca na zona de produção, sem oferta. A expectativa do mercado é que o preço se eleve em até 15% após o feriado. Luders salienta que o produtor não deverá ser beneficiado com a alta, porque perdeu sua lavoura.
Os danos na região Centro-Sul foram grandes. Com as geadas, mudaram todas as expectativas de mercado, que estava apático nos últimos 40 dias. Um dos primeiros efeitos é a euforia dos produtores argentinos que investiram no plantio de feijão preto para abastecer o Brasil. Com a desvalorização cambial e aumento de produção na região Sul, os argentinos estavam até conformados em colher prejuízos esse ano.
Esse sentimento mudou. A expectativa de prejuízos passou para certeza de lucros. O feijão preto argentino, que estava sendo oferecido em Porto Iguaçu por US$ 300/tonelada, ontem já chegava a US$ 400/t, projetando US$ 450/t após o feriado.
Apesar da previsão de aumento de produção do feijão preto, na safra da seca, ainda haveria necessidade de importar 50.000 t. Mas o mercado estava trabalhando com a importação entre 80.000 e 90.000 t porque o feijão preto da Argentina estava com preço mais baixo que o nacional e oferece melhor qualidade de caldo, item apreciado pela dona de casa, explica Luders. Com a quebra de produção, o país deve importar 100.000 t, o dobro da previsão inicial.
Com o feijão de cor, já colhido, o impacto das geadas no mercado não será imediato. A Secretaria da Agricultura informou que dos 133 mil ha com a cultura, cerca de 25% da área já estavam colhidos. Quase a totalidade da produção obtida era de feijão de cor, informou a engenheira agrônoma, do Deral, Margorete Demarchi.
Ocorre que desde o final do ano passado estão ocorrendo quebras com a produção de feijão de cor no Sul do País, e elas serão sentidas em algum momento, no segundo semestre quando a oferta do produto ficar escassa. Segundo Luders a produção de feijão do Rio Grande do Sul, Paraná e Oeste de Santa Catarina vem sofrendo com seca, ocorrida entre janeiro e fevereiro, depois por chuvas na colheita e agora, com geada na segunda safra.
Por outro lado, a produção de feijão da região Central do país não deverá ser expressiva este ano. Isso porque os preços estavam desestimulantes e não compensavam o investimento de plantar este ano, em função do custo de produção do feijão, na maioria com lavouras irrigadas, é muito alto.


