Curitiba - O risco da ocorrência de geadas a partir de hoje ameaça a agricultura cafeeira do norte do Paraná e a horticultura da região sul do Estado. O café está em período de colheita e somente uma geada muito forte pode afetar a produção atual. No entanto, as geadas leves costumam ser traiçoeiras e os produtores só vão perceber que tiveram perdas daqui uns dois meses, avisa o engenheiro agrônomo Paulo Caramori, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
As geadas previstas para hoje na região norte devem ocorrer mais nas regiões de baixadas e são chamadas ''geadas de canela'' porque atingem o caule das plantas principalmente as mais novas. Para evitar perdas, os agricultores devem fazer imediatamente o chegamento de terra no tronco, até a altura do primero par de ramos, ensinou o técnico.
Caramori explicou que há fortes possibilidades da temperatura no solo, nas regiões de baixadas, cair para dois graus negativos, o que pode caracterizar a geada de canela. Mesmo que as baixas temperaturas não atinjam a parte aérea das plantas, podem comprometer seriamente o caule e ''os agricultores só vão dar conta dos danos daqui há dois meses'', destacou.
Este ano a queda de temperaturas chegou mais cedo. Os agricultores temem perder novamente suas culturas como ocorreu com a geada negra em 2000. Naquele ano, os prejuízos na agricultura do Paraná ultrapassaram R$ 1 bilhão. As culturas mais prejudicadas foram o café que teve perdas de 75% da produção, o trigo com perdas de 65% da produção e o milho safrinha que perdeu 67,2% da produção.
Na região sul do Estado, a produção de hortaliças já está escassa como ocorre tradicionalmente no final do outono. Com a queda de temperaturas, os agricultores diminuem a produção com medo do risco de geadas e os preços das verduras e legumes aumentam, disse o engenheiro agrônomo da Secretaria de Estado da Agricultura, Maurício Lunardon. Além disso, o mercado passa a ser abastecido com produção de outras regiões nessa época. Com isso, a tendência dos preços é subir mais ainda porque são agregados os custos com transporte da produção, explicou o técnico.
Ontem, a abobrinha verde, chuchu e couve-flor subiram de preço na Ceasa de Curitiba. E a cenoura subiu de preço na Ceasa de Londrina. A caixa com 20 quilos de abobrinha verde subiu de R$ 22 anteontem para R$ 26 ontem. A caixa com 23 quilos de chuchu subiu de R$ 7 para R$ 10. A caixa com 13 quilos de pimentão verde subiu de R$ 10 para R$ 12. Na Ceasa de Londrina outros produtos já vinham acumulando alta em função do frio e da entresafra. Entre eles o tomate (200%), vagem ( 75%), quiabo (66%), chuchu (40%) e brocólis (33%).

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