Vânia Casado
De Curitiba
O trigo é a cultura que vem registrando maiores prejuízos com a geada ocorrida há 15 dias no Paraná. Até agora, já foram computados prejuízos de R$ 24 milhões com a quebra de 7,4% na produção. A estimativa inicial previa colher 1.546.503 toneladas e agora a expectativa é de 1.432.201 t, com a perda de 114.302 t. Incorporando as perdas ocorridas com o feijão das águas, cultura de verão que é plantada precocemente, e as demais culturas de inverno como cevada, triticale, aveia branca, aveia preta e canola, os prejuízos somam R$ 31 milhões, conforme levantamento do Deral/Seab, apresentado ontem em Curitiba.
No total das lavouras de inverno, a quebra de produção foi de 7,7%, com a redução de 145.815 t. A estimativa inicial previa uma colheita de 1.900.728 toneladas e a estimativa atual prevê uma produção de 1.754.913 t. As geadas prejudicaram ainda o milho safrinha. Dessa vez, elas tiveram pouco efeito sobre a produtividade das lavouras porque 40% da área plantada já havia sido colhida. Mas a cultura já havia sentido o impacto da primeira estiagem severa que se abateu sobre o Estado, em abril desse ano, e depois períodos de frio intenso acompanharam quase todo o processo de desenvolvimento vegetativo da cultura. A última geada foi mais rigorosa na região Oeste do Estado; houve perdas totais nas regiões de Campo Mourão e Cascavel. Em compensação, outras regiões do Estado estão apresentando boa produtividade no milho safrinha, o que poderá mascarar a quebra, em função da compensação, disse a engenheira agrônoma do Deral Vera Zardo.
Até o momento a área perdida soma 20.322 ha, o que representa uma quebra de 3% na produção. A expectativa de produção do milho safrinha cai de 2,89 milhões de t para 2,8 milhões de t, sendo essa redução deverá acarretar prejuízos de R$ 12,5 milhões. Os prejuízos com o milho safrinha não foram contabilizados com as perdas registradas com a safra de inverno e feijão das águas. Outras culturas registram quebras de produção em decorrência das geadas como a sericicultura, frutas de caroço, hortaliças e pastagens.
Estiagem Além das geadas, tanto o trigo como o milho safrinha, principais culturas do período, vêm sofrendo os efeitos de prolongada estiagem que está ocorrendo no Estado há mais de 50 dias.
A engenheira agrônoma do Deral, Vera Zardo, acredita que os prejuízos em decorrência da seca podem ser maiores, mas eles só poderão ser computados após a colheita quando a produtividade poderá ser melhor quantificada.
Apesar de a estiagem estar retardando o plantio de feijão das águas, já haviam sido plantados 27.600 hectares no Estado. Desse total, 17.200 hectares foram totalmente perdidos, sendo que o prejuízo maior ocorreu na região de Francisco Beltrão com 7 mil hectares perdidos. Ainda há prazo para o replantio e a área plantada poderá ser recuperada, disse a técnica Vera Zardo. Ocorre que muitos produtores plantam o feijão precocemente, para depois plantar soja. Com a demora no replantio, em função da falta de chuvas, os produtores podem se decidir pelo plantio de soja, diretamente. Com isso, os prejuízos serão superiores aos R$ 970 mil computados pelo Deral até agora. Isso porque o produtor vai perder a semente já plantada e tecnologia instalada como o tratamento do solo e a colocação de adubo.

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